O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou ontem que o juiz Sergio Moro não pode julgar o processo sobre suposta irregularidades na contratação de navios-sonda pela Petrobras antes de prestar esclarecimentos ao tribunal sobre questionamentos do caso.
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Lewandowski deu prazo de até dez dias para que Moro preste informações sobre reclamação feita pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sobre sua conduta na ação penal. O ministro fixou que isso terá de ser feito de forma eletrônica pelo juiz -que é responsável pela investigações no Paraná do esquema de corrupção da Petrobras- a fim de agilizar o envio.
Foi neste processo que o lobista Júlio Camargo citou propina de US$ 5 milhões a Cunha. A decisão do presidente do Supremo foi tomada um dia depois de ter sido procurado por Cunha pessoalmente em seu gabinete. A defesa do deputado argumentou que se fosse esperar o envio físico das explicações, a ação no Paraná poderia ter andamentos antes que o Supremo tratasse das reclamações do deputado contra o juiz.
O argumento do presidente da Câmara é que o juiz feriu competência do Supremo ao investigá-lo, sendo que a Constituição garante que deputados só podem ser alvo de apuração no STF -o chamado foro privilegiado. Segundo a reportagem apurou, Camargo fez a mesma afirmação sobre ele à PGR.
Outros acusados
Além de Camargo, respondem a essa ação penal o doleiro Alberto Youssef -os dois são delatores na Operação Lava Jato-, Fernando Soares (conhecido como Fernando Baiano), considerado operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, e o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró.
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