COMBATE ÀS CONTRADIÇÕES
PSOL reflete para não repetir os passos do PT
04.04.2015
Desvios programáticos protagonizados por membro do PSOL fazem partido discutir os desafios da legenda
A falta de controle sobre a atuação dos filiados, as contradições protagonizadas por lideranças da legenda e os riscos provocados por divergências internas têm feito o PSOL refletir sobre o futuro do partido. Os representantes da agremiação no Ceará admitem a preocupação e revelam o medo constante que a sigla tem de repetir, segundo eles, os mesmos erros cometidos pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
O PSOL tem estudado a possibilidade de expulsar dos quadros do partido o deputado federal carioca Cabo Daciolo sob a justificativa de que o parlamentar estaria ferindo as teses programáticas da agremiação em sua atuação na Câmara dos Deputados. O parlamentar já foi suspenso após decisão da direção nacional e ele não está mais autorizado a se posicionar como voz da agremiação.
O caso tem provocado intensos debates entre os representantes da legenda e levou a sigla a rediscutir os desafios para impedir que a ainda pequena agremiação sofra dos mesmos vícios enfrentados por partidos maiores.
O distanciamento das bandeiras levantadas pelo parlamentar carioca com as teses defendidas pelo PSOL desde a sua fundação motivou o partido a rever os critérios para a entrada de novos representantes, com a intenção de evitar que lideranças do partido transformem a legenda num espaço repleto de contradições.
"Esse é o grande desafio. Nós temos o desafio de não cair nos mesmos erros que o petismo cometeu nos últimos 20 anos. E os erros são rebaixamento programático, alianças sem critério, autonomia dos mandatos parlamentares e dos executivos. Tudo isso acabou descaracterizando a esquerda. Acho que nós temos a obrigação de ofertar para as novas gerações tradição da esquerda socialista baseada nos erros recentes", defendeu o deputado estadual Renato Roseno.
A vereadora Toinha Rocha afirmou que o debate sobre como evitar repetir os passos do PT é mantido quase diariamente no âmbito interno do partido. A parlamentar destacou que a principal preocupação da legenda é evitar que os novos representantes da sigla atuem sem sintonia com as teses já fixadas no programa partidário.
Filiações
"Isso é discutido diariamente. O PT se acabou por conta disso, um partido que cresceu muito sem que a base tivesse influência. O PSOL está até o dia 8 (de abril) aberto para novas filiações. Mas eu mesmo não filio ninguém, encaminho logo para o partido, porque a preocupação é não deixar inchar. O ideal é que todos leiam o programa, se aprofundem sobre as bandeiras", explicou a parlamentar ao acrescentar que, no partido, o novo filiado participa de plenárias de apresentação do programa da sigla.
A pressão sobre as atitudes de filiados também não é um fenômeno recente no PSOL. A ex-presidente do partido, Heloísa Helena, sofreu grande retaliação ao atuar fortemente no movimento contra a legalização do aborto. O descontentamento com a legenda fez a ex-senadora se afastar das instâncias internas da agremiação, apesar de se manter na sigla. Atualmente, ela é uma das militantes pela oficialização da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva.

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