BOLSO DO BRASILEIRO
Aperto e mudanças por um 2015 com as contas no azul
29.12.2014
Recursos financeiros como cartão de crédito, cheque especial e financiamento devem ser evitados ao máximo
Ajustes, apertos e mudanças econômicas parecem ser as palavras-chave para o cenário financeiro de 2015. Por isso, definir as prioridades do ano que vem e planejar, rigorosamente, cada gasto no orçamento, atividades sempre recomendadas para o início do ano, são quase uma regra para não ficar em dificuldades durante os próximos 12 meses.
Para o diretor executivo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio), Alex Araújo, a situação em que se encerra o ano de 2014, com elevado nível de endividamento e pressão sobre a inflação devido à alta do dólar, torna ainda mais importante o planejamento financeiro pessoal. "Por conta das medidas que o governo deverá adotar para arrumar a situação fiscal e controlar a inflação, o consumidor deve se preparar para um cenário adverso", enfatiza.
Entre essas medidas, Araújo projeta que deve continuar a política de aumento da taxa de juros, fazendo com que o crédito fiquei mais caro. "Se a condição financeira não ficar apertada, prefira o pagamento à vista, porque o desconto compensa, principalmente de IPVA e IPTU", aconselha. Já os recursos como cartão de crédito, financiamento e o cheque especial devem ser evitados ao máximo, acrescenta.
As famílias de renda mais baixa, segundo o especialista, serão mais sensíveis ao novo cenário econômico, mas mesmo aquelas com rendimento mais alto devem evitar contrair dívidas ou fazer investimentos de longo prazo. "Tendo em vista que a economia está passando por ajustes, o mais prudente é não comprometer a renda", explica, complementando que 2015 será o ano do planejamento e da cautela financeira.
Pressão sobre os preços
Para o próximo ano, Araújo destaca que os itens mais suscetíveis às mudanças de preços são os ligados à alimentação e também os eletrônicos e artigos de informática, por dependerem de itens importados. "Teremos surpresas negativas no custo da energia, com reajustes pesados por conta da forma como o sistema funcionou em 2014", acrescenta, referindo-se ao uso da energia térmica, mais cara do que a oriunda das hidrelétricas.
Essas mudanças, explica o diretor executivo da Fecomércio, decorrem de ajustes que começaram este ano. "Por conta disso, esse foi um ano de crescimento muito baixo, mas a gente espera que esses ajustes concluam em 2015", projeta. Com um planejamento financeiro, contudo, por mais simples que seja, é possível minimizar os impactos dessa transição econômica.

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