Maioria dos infectados não sabe que tem hepatite
As hepatites B e C são doenças causadas por vírus transmitidos pela transfusão de sangue contaminado e pelo uso compartilhado de seringas e objetos de higiene pessoal, como alicates de unha e lâminas de barbear. O vírus também é transmitido sexualmente. Segundo a médica hepatologista do Hospital São José e coordenadora do Ambulatório de Hepatites Virais do Hospital São José, Elodie Hippolyto, os casos aumentam ano a ano. “O fato do aumento do diagnóstico é relativamente bom, pois indica que mais pessoas estão fazendo o teste e buscando o tratamento, já que a hepatite é uma doença assintomática. Da população total cearense, 1% tem o tipo C, 1% tem o tipo B, 10% está diagnosticada e em tratamento, o restante tem, mas não sabe. A maioria só descobre quando a doença está em estágio avançado. Por isso, é importante divulgar os testes”, falou.
Transplante
A médica destaca, ainda, que a maioria dos transplantes de fígado realizados no Ceará foi devido ao avanço da doença nos pacientes com hepatite. “A maior causa de transplante de fígado no Ceará é a hepatite C. Neste caso é importante destacar que no ano de 2014, realizamos 152 transplantes de fígados, e a maior parte dos transplantados tinham hepatite”, salientou.
Grupo de risco
Elodie Hippolyto ressaltou que as pessoas com mais de 45 anos estão entre os grupos de risco. “Nessa época, as seringas eram de vidro, e as agulhas não eram descartáveis. Muitas vezes esses materiais não eram esterilizados como deveriam ser, e esse fato tornou-se a principal forma de contrair hepatite. Como nesse tempo também não existia exames para detectar o vírus, muitos não tinham como saber se estavam infectados. Hoje, claro, o risco de infecção é bem menor, mas ainda existe”, alertou, acrescentando que “os casos novos estão aumentando entre os grupos de usuários de drogas, entre profissionais de saúde e também entre as manicures. É importante alertar, também, que pessoas que nasceram antes de 1993 também têm chances de terem a doença”.
A estimativa do Ministério da Saúde é que a doença seja descoberta por 1,4% e 1,7% dos brasileiros, a maioria acima de 45 anos de idade.
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