ATRASO NO REPASSE
Usuários do Issec são rejeitados em hospitais
17.03.2015
Apesar de protesto já realizado, pacientes não recebem atendimento nem nas emergências de unidades da Capital
A procura por atendimento médico aos usuários do Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec) continua de forma restrita na Capital. Sem o repasse de recurso às unidades de saúde, a prestação de serviço permanece suspensa deixando muitos pacientes sem a assistência a que têm direito.
O problema já foi motivo de protesto em frente à sede do Issec, no último dia 6 de março, como noticiou o jornal Diário do Nordeste. Na ocasião, cerca de 120 manifestantes tentaram promover um encontro com um representante do Governo do Estado para resolver o caso.
Passada mais de uma semana, no entanto, a situação parece ser a mesma. Foi o que percebeu o militar aposentado Paulo Gonçalves, 54, na madrugada do último sábado (14), ao procurar assistência médica por dores decorrentes de pedra nos rins. Depois de ter o atendimento de emergência recusado no Hospital São Raimundo, na Aldeota, e no Hospital S.O.S, no Centro, decidiu recorrer à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro José Walter, quando, enfim, conseguiu ser atendido.
A aposentada de 63 anos, E.S.A, que preferiu não ter a identidade revelada, pagou consulta de emergência e o soro que tomou, também no Hospital São Raimundo, no dia 9 deste mês. "Paguei R$ 218,00 por tudo. É muito revoltante essa situação, e nenhum político levanta esse problema", comenta ela, ressaltando que o esposo paga quase R$ 1 mil por mês pelo Issec.
Segundo ela, ao chegar na unidade de saúde, se deparou com o aviso na recepção que anunciava a suspensão de atendimento aos usuários do Instituto. "Vi muita gente chegando e voltando. O funcionário comentou que o Issec está devendo R$ 3 milhões ao hospital", ressalta. Ainda conforme a usuária, tentou atendimento pelo Issec também nos hospitais Uniclinic, Gastroclínica e Cura d'Ars, igualmente sem sucesso.
Aviso
Na tarde de ontem, as placas sobre a restrição de atendimento no Hospital São Raimundo ainda constavam nas portas e na recepção. Um dos funcionários apenas informou que a assistência está suspensa desde novembro e não sabe a data de retorno do serviço.
De acordo com a coordenadora do Fórum Unificado das Associações e Sindicatos dos Servidores Públicos Estaduais do Ceará (Fuaspec), Eliene Uchoa, entidade à frente do ato realizado no dia 6, a suspensão do atendimento nos hospitais é apenas o agravo de um serviço que já vem deficiente há tempos. "Esse caos foi apenas o mais emergencial. Os usuários, por exemplo, só têm direito a uma consulta por mês e isso é um absurdo, pois doença é inerente à vontade".
Os pacientes do Interior, acrescenta, sofrem ainda mais com a falta de opção. "Se na Capital já é ruim, no Interior é quase impossível, por tudo isso resolvemos fazer o ato e já requeremos uma audiência pública com o Issec e Governo do Estado para tentarmos resolver o caso".
Em contato com o Estado, a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) apenas informou que o Issec reiniciou o procedimento para liquidar a despesa com a Casa de Saúde São Raimundo e que as seguintes unidades da rede credenciada seguem atendendo os beneficiários: Hospital Central de Fortaleza (S.O.S) (atendimento geral de urgência e emergência), Hospital de Olhos Leiria de Andrade (atendimento de emergência e urgência oftalmológica) e Sociedade de Assistência e Proteção à Infância (atendimento de urgência e emergência pediátrica).

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