APÓS UM ANO
Veículos seguem sem utilidade
18.03.2015
Cerca de 40 carros, vans e ônibus, a maioria pertencente ao Estado, estão sem uso em terreno próximo ao IPPS
Há um ano, o Diário do Nordeste divulgou o desperdício do patrimônio público com os mais de 40 veículos abandonados num terreno próximo ao Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS). A maior parte da frota é claramente identificada como pertencente ao Estado. Apesar da publicação ter sido feita em 2014, alguns estão lá há pelo menos cinco gestões.
Nesta semana, a reportagem retornou ao local e constatou que a única mudança foi o crescimento da vegetação da paisagem, que remete a um cemitério. Carros, vans e ônibus anteriormente utilizados para servir à população, hoje, viraram abrigo para insetos e potenciais focos do mosquito da dengue.
Alguns veículos estão lá há pelo menos 16 anos. Entretanto, há outros mais recentes, como um adesivado com a logomarca da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) na gestão de Cid Gomes. O carro não tem muitos anos de uso, mas as peças e a placa foram retiradas.
O cemitério de veículos está localizado em dois pontos diferentes. Num, estão concentrados carros e vans. No outro, ônibus e micro-ônibus. O descaso pode ser visto por imagens do Google Maps (http://svmar.Es/veículosabandonados).
Danos
Não foi apenas a ação do tempo e da natureza que danificou o patrimônio. Aqueles que levaram os carros ao local tiveram o cuidado de retirar baterias e outras peças de muitos carros. Dentre os que puderam ser identificados, há um Fiat Marea 2001/2002, um reboque Reb/Karmann C.KC 450, de 1993, com identificação da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). A última atualização de documentos ocorreu em 1999.
Um deles está tão deteriorado que é impossível identificar. A placa UB-0781 mostra que ele foi deixado lá, no máximo, no ano de 1999.
Uma Topic 1994/1995 e um ônibus Mercedes Benz ano 1993/1994 tinham exercício e seguro registrados em 2012 e 2013, respectivamente.
De acordo com o presidente da Comissão de Controle e Gastos Públicos da Ordem dos advogados do Brasil - Seção Ceará (OAB-CE), Harley Ximenes, é necessário fazer uma apuração com sobre o que aconteceu com os veículos. "É preciso saber se houve negligência ou um desgaste natural", disse.
Ximenes informou que, ao serem considerados "inservíveis", ou seja, sem utilidade para a unidade que os possuem, os bens, "após avaliação e justificativa podem ser perfeitamente leiloados, doados ou até mesmo simplesmente inutilizados".


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