ENTREVISTA DO DESEMBARGADOR BRÍGIDO
Protestos das associações de juízes
24.12.2014
Aplausos de alguns colegas e protestos de outros magistrados dividiram integrantes da Justiça do Ceará
A entrevista do presidente do Tribunal de Justiça cearense, desembargador Gerardo Brígido, publicada ontem no Diário do Nordeste, gerou desconforto em representantes da magistratura do Estado. O presidente da Associação Cearense dos Magistrados (ACM), juiz Antônio Araújo, chamou de leviana a declaração do chefe do Poder Judiciário estadual acerca da falta de vocação dos magistrados. A Associação dos Juízes Federais do Brasil divulgou uma nota repudiando a afirmação do presidente. Logo cedo da manhã, o desembargador Raimundo Nonato encaminhou nota à redação repudiando a entrevista de Brígido.
"Em todas as camadas sociais, existirão indivíduos sem vocação, independentemente da atividade. É uma questão do indivíduo. E, como não temos exame psicotécnico para a magistratura, é possível que sempre tenha tido alguém sem vocação, como hoje deva ter alguém com vocação", retrucou o juiz Antônio Araújo. "Eu acho que, pela responsabilidade que ele deve ter, fez uma afirmação arriscada, para não dizer leviana".
O titular da Associação Cearense dos Magistrados ainda fez críticas diretas ao presidente do Tribunal de Justiça. "O presidente disse que as associações hoje se tornam sindicalistas da mais rasteira posição. Eu acho que o presidente tem saudade da época do regime militar em que não se podia fazer trabalho sindical ou associativista (...) Ele fala, por exemplo, em falta de aptidão ou vocação. E será que ele tem vocação para administrar?", questionou.
Simulada
Antônio Araújo ressaltou que uma das bandeiras da Associação é que os juízes possam escolher, por meio de votação direta, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado. "Se votássemos, o desembargador Brígido não seria nosso presidente. Nas eleições para presidente em que fui eleito fizemos uma eleição simulada e ele tirou o quinto lugar entre os juízes do primeiro grau", declarou.
O juiz explicou que magistrados cearenses têm sido prejudicados, durante a gestão atual do Tribunal de Justiça do Estado, em relação ao recebimento de benefícios a que têm direito por lei, inclusive o auxílio-moradia de mais de R$ 4 mil, regulamentado por resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em outubro último. "É nesta presidência que nós temos tido dificuldades", apontou.

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