segunda-feira, 4 de agosto de 2014

ATENDIMENTO

Falta de acesso a órgãos dificulta denúncias contra violências

04.08.2014

Telefones que não atendem, ramais ocupados ou órgãos sem operar 24 horas foram problemas encontrados

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De acordo com o titular da Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos (SCDH), Karlo Kardoso, o órgão tem promovido reuniões para atender à infraestrutura dos seis conselhos tutelares de Fortaleza
FOTO: ALEX COSTA
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O Disque 100 foi o único órgão a se mostrar acessível de maneira imediata
FOTO: RUI NÓBREGA
Trabalhar no combate aos índices de qualquer tipo de violência é uma importante meta do País. Os casos frequentemente vêm à tona, principalmente contra grupos sociais mais vulneráveis, como crianças e adolescentes, e por isso o ato de denunciar é de grande relevância. Em relação a esse grupo específico, por exemplo, o Ceará registrou 4.568 denúncias em 2013, somente pelo Disque 100. O número representa um crescimento de 1,99% em relação ao ano anterior. Apesar de parecer alto, o índice no Estado poderia ser ainda maior, se o acesso aos canais de denúncia fossem mais simplificados.
A reportagem do Diário do Nordeste entrou em contato com órgãos responsáveis por receber denúncias de violação de direitos humanos e constatou que a tarefa de apontar os possíveis crimes não é tão simples como deveria. Telefones que não atendem, ramais constantemente ocupados, atendimentos realizados apenas presencialmente e órgãos que não funcionam 24 horas foram as falhas encontradas em diferentes situações.
A Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), por exemplo, é a única de Fortaleza especializada neste público, mas apesar disso, não atua com atendimento 24 horas. A reportagem entrou em contato com a unidade na última quarta-feira (30) um pouco depois das 19h, para saber como proceder em caso de uma denúncia, uma vez que é no turno da noite que a rede de exploração sexual se intensifica. A pessoa que atendeu, no entanto, disse que denúncias são realizadas somente entre os horários de 7h30 e 18h e presencialmente.
Os Conselhos Tutelares são responsáveis por atuar junto a órgãos e entidades com o objetivo de zelar pelos direitos das crianças e dos adolescentes, conforme determina o artigo 136 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na capital cearense, existem seis unidades, uma em cada Secretaria Executiva Regional (SER). Contatar uma dessas, entretanto, também não é uma tarefa muito fácil. A equipe de reportagem tentou contato com todas as unidades na noite de quarta-feira e nenhuma atendeu, apesar de haver um número de plantão para as ocorrências noturnas.
Na tarde da última quinta-feira (31), nova tentativa, agora em horário comercial, mas a dificuldade em obter alguma informação de como proceder em casos de denúncias permaneceu. Dos seis conselhos tutelares, em apenas dois, nos das Regionais I e IV, a ligação foi atendida e o procedimento explicado.

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