segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Raquel Dodge diz que reunião com Temer foi 'institucional'

Em meio a críticas recebidas antes mesmo de assumir o comando do Procuradoria-Geral da República (PGR), a procuradora Raquel Dodge, que assumirá o cargo em setembro, divulgou nota, neste domingo, para esclarecer o encontro polêmico fora da agenda do Planalto com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu. 

No comunicado oficial, só redigido cinco dias depois da visita ocorrida dia 8, ela disse que a audiência constou de sua agenda pública e que teve por objetivo discutir a posse no cargo, quando substituirá Rodrigo Janot, prevista para 18 de setembro. “Os fatos que motivaram a reunião são institucionais”, afirmou Dodge no documento oficial.
Procurada pela imprensa após um cinegrafista da Rede Globo revelar a sua chegada ao Palácio do Jaburu, Raquel Dodge tentou minimizar as críticas por falta de transparência.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 9, ela também tinha afirmado que esteve no Jaburu para acertar detalhes de sua posse. As declarações da procuradora, no entanto, não aplacaram as críticas sobre o caráter sigiloso da visita.
Na nota deste domingo, ela repetiu declarações dadas ao jornal e disse que foi à residência oficial para alertar Temer sobre a possibilidade de o cargo de chefe da Procuradoria-Geral da República ficar vago caso o presidente não lhe desse posse antes da viagem que ele fará aos Estados Unidos, dia 19. Logo, a posse tinha que ser dia 18, pois o mandato de Janot tem prazo de término um dia antes.
“O mandato do atual PGR terminará no dia 17 de setembro. Com isso, caso a posse ocorresse apenas após a viagem presidencial, o Ministério Público da União ficaria sem titular para o exercício de funções institucionais junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Conselho Nacional do Ministério Público, a partir do dia 18”, ressaltou a nota. Agenda extraoficial
Os encontros noturnos fora da agenda de Temer no Jaburu têm causado constantes polêmicas ao Planalto. Na noite de 7 de março, ele recebeu o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, que gravou a conversa.
Depois, noite do dia 6 deste mês, o presidente recebeu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
O encontro de Batista veio a público quando o empresário entregou a gravação da conversa com Temer para o Ministério Público Federal, provocando a maior crise do atual governo.
Nas gravações, o presidente supostamente aparece tentando comprar silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Lava Jato. Em denúncia enviada à Câmara, o próprio Janot tenta condenar a prática de reuniões “extraoficiais” pelo presidente da República.
Assim como ocorreu no caso da visita de Raquel Dodge, a reunião de Temer com Mendes foi revelada por um cinegrafista que fazia plantão do lado de fora do palácio. (das agências) 

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