Suspenso por 60 dias do partido por votar a favor da admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer (PMDB) por corrupção passiva, o deputado Vitor Valim (PMDB) ironizou a punição assinada pelo presidente nacional da sigla, o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
“Veja quem me puniu: Romero Jucá. Uma punição do Romero Jucá é uma condecoração. Todo mundo conhece a história dele”, ironizou o parlamentar cearense. Suspenso de todas as atividades partidárias por ir contra a decisão da legenda, Valim diz que uma nova punição deve vir porque vai votar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras de aposentadoria.
“Vai ter outra punição porque também vou votar contra a reforma da Previdência. Eu tenho coerência, agora o Romero Jucá é governo sempre. Eu tenho paixão pelas minhas convicções, e ele tem vocação pelo poder porque já foi líder da Dilma, do Lula, do FHC, do Temer…”
Além de Valim, os deputados Veneziano Rego (PB), Celso Pansera (RJ), Laura Carneiro (RJ), Sergio Zveiter (RJ) e Jarbas Vasconcelos (PE) também foram suspensos por decisão da instância nacional. O PMDB havia fechado questão obrigando todos os seus filiados a votarem contra a denúncia do procurador Rodrigo Janot.
Durante esses 60 dias, esses deputados não poderão atuar em atividades da Executiva ou de diretórios do partido nos estados. Além disto, o líder da legenda na Câmara, Baleia Rossi (PMDB-SP), pode substituir aqueles que ocupam cargos ou relatorias nas comissões da Casa.
Com 263 votos, a Câmara dos Deputados não recebeu a denúncia da PGR. O presidente só será investigado pelos crimes que constam na denúncia depois que deixar a Presidência, após janeiro de 2019.
O presidente estadual do PMDB, Gaudêncio Lucena, publicou, na última quinta-feira, 10, em sua conta no Facebook, a decisão da legenda.
Outras repercussões
Também comentando a decisão, Jarbas Vasconcelos disse que nenhuma medida “boba, tola e inócua” vai afetar suas convicções. “Uma suspensão não tem efeito. Nenhum parlamentar pode ser privado de seu exercício de mandato”, declarou.
Já Zveiter reagiu de maneira mais dura à decisão de Jucá. “Considerei a decisão ridícula e covarde. Ridícula, pois um partido que usa o expediente inescrupuloso de distribuição de emendas parlamentares, cargos e de ameaças de punição ao direito democrático do parlamentar votar não tem autoridade moral para punir quem quer que seja”, afirmou. “Covarde, pois ameaçou expulsar e agora vem com essa suspensão. Como não tenho cargos no governo, não sou de frequentar o palácio de pires na mão e não tenho cargo na liderança no PMDB da Câmara, tal suspensão em nada me afetará”, acrescentou.
Saiba mais
Vitor Valim afirmou ainda que foi pego de surpresa com a punição, atacou duramente Jucá e disse que pode ter sofrido revanchismo por haver dito que o senador estava junto “com o banana de pijama” do Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento. Há rumores de que Zveiter pode se filiar ao Podemos.
A deputada Laura Carneiro também reagiu à decisão do partido.”Essa atitude inabitual do PMDB, nascido da resistência democrática ao autoritarismo, não mudará minhas convicções, nem minha conduta política. Me surpreende o PMDB, que acompanhei na sala de minha casa, punir parlamentares não por uma matéria programática, mas de foro íntimo. Meu mandato está e continuará a serviço do Brasil”, disse a deputada.
Decisão foi comunicada por meio de ofício ao presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, e inclui também a suspensão de atividades diretivas do partido. A medida é cautelar e o caso ainda deve passar por análise da Comissão de Ética da legenda, que pode indicar novas punições aos seis parlamentares.
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