
Ao todo, mais de oito mil pessoas passaram pelo velório no equipamento cultural na Praia de Iracema. Já o enterro, que seria a princípio fechado para a família, acabou sendo aberto para amigos e fãs, que acompanharam o artista até o último momento. Com fitas de isolamento retiradas e com acesso aberto para quem quisesse se aproximar, o sepultamento aconteceu no mesmo jazigo onde os pais dele foram enterrados. Entre choros e canções do artista entoadas, muitas palmas partiram entre os cerca de 300 presentes e, assim, o artista se despediu como saía dos palcos: sob aplausos.


“A partir da música dele, da obra, Belchior acompanhou tantos momentos das nossas vidas. A gente constrói um nível de intimidade, sente muito e compartilha essa perda”, afirmou Izolda Cela, vice-governadora do Estado, que esteve na missa. Assim como o compositor, ela é também natural do município de Sobral (232 km de Fortaleza). “Ele é sobralense e, apesar de ter saído muito cedo de lá, lembrava sempre da Cidade, falava das histórias, dos personagens e eu admirava muito isso”, contou Izolda.
Irmão do cantor, Francisco Gilberto prefere entender a morte do artista como mais uma transformação do poeta. “A vida do Belchior se traduziu em mudanças. Do bom aluno que representou a turma como orador no ginásio até o adolescente que tomou a decisão de mudar para ser frade, viu que não era aquilo que ele queria e mudou de novo para ser estudante de Medicina”, rememora. “Depois ele viu que o caminho dele não era aquele e mais uma vez mudou para a música, onde ficou. Agora ele muda e se despede mais uma vez”, completa, mantendo a firmeza. “Mas as músicas ficam, viu?”, confirma, como se fosse preciso ressaltar a permanência de uma poesia que, feito faca, marcou a música brasileira profundamente.
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