quinta-feira, 27 de abril de 2017

Rompimento da barragem: prejuízo para 25 mil moradores de Trairi

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Cratera que se abriu com o arrombamento do açude, no Trevo da Volta da Hilda. A destruição interrompeu os acessos ao distrito de Canaã e às praias de Flecheiras e Guajiru FOTOS TATIANA FORTES
Cratera que se abriu com o arrombamento do açude, no Trevo da Volta da Hilda. A destruição interrompeu os acessos ao distrito de Canaã e às praias de Flecheiras e Guajiru FOTOS TATIANA FORTES
O arrombamento do açude da fazenda Unique, no município de Trairi (a 124,5 km de Fortaleza), causou um prejuízo de pelo menos R$ 2,5 milhões para os cofres públicos, em função dos estragos nas duas principais vias de acesso às praias de Flecheiras e Guajiru, destinos turísticos do Litoral Oeste do Ceará. A projeção é de um gestor do Departamento Estadual de Rodovias (DER), que pede para não se identificar. O POVO foi a Trairi acompanhar a situação de quem está sendo prejudicado pelo rompimento da barragem particular.
O acidente com o reservatório foi na última quinta-feira, 20. Até agora, os proprietários da Unique Lqd Investment Empreendimentos Imobiliários Ltda, os ingleses Andrew James Goodman e Anthony Justin Archer, não se pronunciaram sobre as causas e como se dará a reparação de danos para moradores, comerciantes/empresários atingidos e a recuperação da malha viária.
Enquanto a Unique não apresenta um plano de ação, o DER e a Prefeitura do Trairi deslocaram mais de 30 homens e máquinas para improvisar duas passagens para pedestres e veículos no Trevo da Volta da Hilda (distrito de Canaã), na CE-163 e na barra da praia de Flecheiras (distrito de Flecheiras), na CE-343.
O POVO apurou que as obras de recuperação total dos dois trechos das rodovias danificadas devem durar pelo menos três meses. A avalanche d’água destruiu o asfalto, revirou o concreto, arrancou tubulações e produziu duas crateras nas pistas.
Lucíola Alves reclama do cancelamento de reservas no feriado
Lucíola Alves reclama do cancelamento de reservas no feriado
Rodovia estadual 343, na altura da barra da praia de Flecheiras
Rodovia estadual 343, na altura da barra da praia de Flecheiras
Segundo Valessa Feitosa, 35, chefe de Gabinete da Prefeitura do Trairi, as consequências em cadeia causadas pelo rompimento do reservatório estão prejudicando, direta ou indiretamente, a rotina dos 25 mil habitantes distribuídos entre a sede de Trairi e cinco distritos do Município.
Os distritos mais afetados são Canaã, Flecheiras e Mundaú. “Teve quebra no turismo já que o arrombamento se deu na véspera do feriado de Tiradentes, 21, na rota da coleta do lixo, no trânsito de mercadorias, na frequência de alunos e professores de várias escolas e no deslocamento das pessoas para sair ou entrar no Município”, resume Valessa Feitosa.
 Danos colaterais
Em Canaã, por causa dos caminhos interrompidos, a Escola de Ensino Médio Padre Rodolfo Ferreira da Cunha está sem quatro dos 17 professores. Segundo Célio Alves Ribeiro, biólogo e coordenador da instituição pública, os docentes não têm como chegar para trabalhar. No distrito e praia de Flecheiras, onde O POVO chegou após utilizar dois carros e atravessar a pé a barra de um rio onde o asfalto foi destruído, mais de 500 estudantes da rede pública estão sem aula. É que as escolas de ensino médio e profissional Fortunato Severiano e José Ribeiro Damasceno fecharam as portas. “Só chega aqui, agora, quem tem um veículo 4x4 ou se arrisca a ir pela praia na maré seca. No risco de ficar atolado, a maré encher, e perder o carro”, observa Célio Ribeiro.
Dona Maria Lúcia Ribeiro, 62, proprietária há 25 anos do mercadinho Beira Mar, na praia de Flecheiras, teve uma pequena felicidade na tarde da última terça-feira. Ela comemorava a volta do distribuidor de pão (em saco) depois de cinco dias de ausência. “Compro produtos do comércio de Trairi para atender meus clientes, mas como é que chega? Fiz pedido de cachaça, refrigerante, biscoito, leite, Nescau, Coca-Cola e papinha pra bebê. Já está faltando”, protesta.
SAIBA MAIS
Os empresários da praia de Flecheiras planejam ir à fazenda Unique para se reunir com os proprietários. Marçal Ibrahim, 32, dono do restaurante Sacada Beach, diz que até o momento ninguém de lá fez contato.
Ibrahim diz que a maioria dos donos de pousadas e hotéis está “com medo” dos prejuízos que irão se acumular. “Mudou a forma de o cliente chegar aqui, eles estão inseguros de vir. Vamos sentir isso no feriado do 1º de maio”. Mudou também a frequência dos caminhões de produtos alimentícios para pousadas, restaurantes e hotéis. Uma das distribuidoras de Fortaleza aceitou estacionar o caminhão das 10 às 15 horas no outro lado da CE-343, na barra da praia de Flecheiras. E aí cada um se vira para levar a mercadoria. A Unique Lqd Investment Empreendimentos Imobiliários Ltda é uma empresa do ramo do agronegócio que vende lotes de terra na fazenda, no Trairi, para investidores estrangeiros. Em 2015, a Unique conseguiu na Semace uma licença ambiental para plantar nin indiano. Para produção de repelente a partir da árvore.
 
DEMITRI TúLIO

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