
Enquanto a Unique não apresenta um plano de ação, o DER e a Prefeitura do Trairi deslocaram mais de 30 homens e máquinas para improvisar duas passagens para pedestres e veículos no Trevo da Volta da Hilda (distrito de Canaã), na CE-163 e na barra da praia de Flecheiras (distrito de Flecheiras), na CE-343.
O POVO apurou que as obras de recuperação total dos dois trechos das rodovias danificadas devem durar pelo menos três meses. A avalanche d’água destruiu o asfalto, revirou o concreto, arrancou tubulações e produziu duas crateras nas pistas.


Os distritos mais afetados são Canaã, Flecheiras e Mundaú. “Teve quebra no turismo já que o arrombamento se deu na véspera do feriado de Tiradentes, 21, na rota da coleta do lixo, no trânsito de mercadorias, na frequência de alunos e professores de várias escolas e no deslocamento das pessoas para sair ou entrar no Município”, resume Valessa Feitosa.
Danos colaterais
Em Canaã, por causa dos caminhos interrompidos, a Escola de Ensino Médio Padre Rodolfo Ferreira da Cunha está sem quatro dos 17 professores. Segundo Célio Alves Ribeiro, biólogo e coordenador da instituição pública, os docentes não têm como chegar para trabalhar. No distrito e praia de Flecheiras, onde O POVO chegou após utilizar dois carros e atravessar a pé a barra de um rio onde o asfalto foi destruído, mais de 500 estudantes da rede pública estão sem aula. É que as escolas de ensino médio e profissional Fortunato Severiano e José Ribeiro Damasceno fecharam as portas. “Só chega aqui, agora, quem tem um veículo 4x4 ou se arrisca a ir pela praia na maré seca. No risco de ficar atolado, a maré encher, e perder o carro”, observa Célio Ribeiro.
Dona Maria Lúcia Ribeiro, 62, proprietária há 25 anos do mercadinho Beira Mar, na praia de Flecheiras, teve uma pequena felicidade na tarde da última terça-feira. Ela comemorava a volta do distribuidor de pão (em saco) depois de cinco dias de ausência. “Compro produtos do comércio de Trairi para atender meus clientes, mas como é que chega? Fiz pedido de cachaça, refrigerante, biscoito, leite, Nescau, Coca-Cola e papinha pra bebê. Já está faltando”, protesta.
SAIBA MAIS
Os empresários da praia de Flecheiras planejam ir à fazenda Unique para se reunir com os proprietários. Marçal Ibrahim, 32, dono do restaurante Sacada Beach, diz que até o momento ninguém de lá fez contato.
Ibrahim diz que a maioria dos donos de pousadas e hotéis está “com medo” dos prejuízos que irão se acumular. “Mudou a forma de o cliente chegar aqui, eles estão inseguros de vir. Vamos sentir isso no feriado do 1º de maio”. Mudou também a frequência dos caminhões de produtos alimentícios para pousadas, restaurantes e hotéis. Uma das distribuidoras de Fortaleza aceitou estacionar o caminhão das 10 às 15 horas no outro lado da CE-343, na barra da praia de Flecheiras. E aí cada um se vira para levar a mercadoria. A Unique Lqd Investment Empreendimentos Imobiliários Ltda é uma empresa do ramo do agronegócio que vende lotes de terra na fazenda, no Trairi, para investidores estrangeiros. Em 2015, a Unique conseguiu na Semace uma licença ambiental para plantar nin indiano. Para produção de repelente a partir da árvore.
DEMITRI TúLIO
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