Quando tinha entre 17 e 18 anos, a universitária Aline Guedelha queria ficar “bronzeada a todo custo”. Ia à praia e não usava qualquer proteção para se expor ao sol. “Sou muito branca, minha pele é sensível, vivia descascando. Sempre ficava vermelha, e eu tinha que passar muito hidratante”, assume. Após ter feito um tratamento de pele para amenizar as espinhas do rosto e tendo que evitar exposição ao sol, a estudante, hoje com 23 anos, diz ter aprendido a lição: “agora, estou sempre passando o protetor solar”.
O que Aline tinha são reações agudas, provocadas pela exposição ponderada à radiação ultravioleta (UV). Caso o tempo sob o sol seja excessivo, reações mais crônicas, como câncer de pele, podem vir à tona. No Ceará, a UV costuma manter-se intensa todo o ano — exceto nos meses da quadra chuvosa (fevereiro a maio) e de junho, quando, segundo a Fundação de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), é inverno no hemisfério sul.
“Só que, no nosso Estado, mesmo com a radiação baixa nesta estação, ela ainda permanece alta”, enfatiza o supervisor da Unidade de Tempo e Clima da Funceme, Raul Fritz. De acordo com ele, a incidência desses raios no Ceará fica em torno do nível dez da escala de medição. Os números variam de um a 16.
Até o fim do ano, com a proximidade do verão no hemisfério sul, Fritz avalia que a tendência da radiação é “permanecer próxima do nível extremo enquanto predominar céu claro”. O especialista observa ainda que, havendo cobertura de nuvens mais densas, o raios podem ficar mais atenuados. Mesmo assim, o cuidado com a pele e o corpo são fundamentais.
É o que indica o dermatologista Luiz Henrique Santiago. Ele aconselha o uso de fotoprotetores (ou protetor solar) em todas as pigmentações de pele como forma de aliviar as consequências da incidência solar. “As pessoas mais claras e que facilmente ficam avermelhadas, que possuem cabelos e olhos claros, são as que mais devem evitar o excesso de exposição solar, pois dificilmente bronzeiam e facilmente sofrem queimaduras, o que predispõe a formação de câncer de pele, manchas e envelhecimento precoce”, detalha.
Para além do bloqueador solar, que deve ser sugerido por dermatologistas para cada tipo de pele (oleosa, seca, pele com alergias), o especialista chama atenção para os cuidados com o calor. O uso de roupas leves, chapéus, óculos escuros com proteção UVA e UVB (raios mais intensos), além da ingestão frequente de água para manter o corpo hidratado, devem ser levados em consideração. “Evitar a exposição solar entre 10h e 15 horas é outro ponto importante”, adverte.
Reações da pele ao sol
I. Características: pele muito clara, olhos azuis, sardas, cabelos loiros
ou ruivos; pele não-exposta branca
ou ruivos; pele não-exposta branca
Reações: queima-se facilmente e de maneira severa (queimaduras dolorosas); nunca se bronzeia; a pele descasca
II. Características: pele clara, olhos claros ou castanhos, sardas, cabelos loiros ou ruivos; pele não exposta branca
Reações: geralmente se queima facilmente e de maneira severa (queimaduras dolorosas); bronzeamento inexistente ou muito fraco;
também descasca
também descasca
III. Características: média dos caucasianos; a pele não exposta é branca
Reações: queima moderadamente e tem bronzeamento médio
IV. Características: pessoas com a pele branca ou morena, cabelos e olhos castanho escuro; a pele não exposta é branca ou morena
Reações: mínima queimadura, bronzeia-se facilmente e acima da média em cada exposição; geralmente exibe reações de IPD (do inglês immediate pigment darkening, que significa pigmentação imediata)
V. Características: mulatos e mestiços
Reações: raramente se queima; bronzeia-se facilmente e substancialmente; sempre exibe IPD
VI. Características: negros; a pele não exposta é negra
Reações: nunca queima e se bronzeia abundantemente; sempre exibe IPD
Nenhum comentário:
Postar um comentário