A BSB não é uma construtora e sim uma empresa especializada em inovações na área de arquitetura modular pré-fabricada. Na prática, seria fazer para uma construtora todas as peças de um edifício, com todo o encanamento, ligações elétricas e condutores de ar, para montá-los em outro local.
As conversas com empresários locais estão em estágio inicial, mas Zhang Yue diz que a ideia é começar a partir de 2017 a construção de três plantas no Brasil. Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza são as cidades prospectadas. Outra possibilidade é o uso da tecnologia numa parceria. “Seríamos um dos investidores e faríamos um projeto em cooperação com parceiros locais”.
O valor do plano de investimento necessário para o projeto ainda não foi fechado, mas o custo de uma fábrica de pequeno porte é estimado em pelo menos US$ 100 milhões. Após visitar outros estados, ele diz que o modelo seria muito útil para o Brasil tanto para resolver a questão das favelas com a construção de casas populares de melhor qualidade em menos tempo, como para construir arranha-céus para melhorar o adensamento populacional nas cidades.
Com mais de 100 patentes registradas, ele explica que 90% do trabalho de construção do prédio é feito na fábrica. Neste modelo, materiais como cimento e concreto têm menor participação e dão lugar para materiais inovadores como placas de aço inoxidável na estrutura e fibras de carbono. Ele assegura que, na fábrica, são feitos testes de resistência do edifício em casos de terremoto. A tecnologia também trouxe de seis a dez vezes mais eficiência, o que reduz substancialmente o tempo de construção. Porém, afirma que mais do que rapidez, o que a empresa busca é reduzir o consumo.
“Por não utilizar de eficiência na construção, os prédios geram muito desperdício e isso não é só aqui no Brasil, é no mundo todo”, exemplificando que nos prédios, graças às intervenções feitas nos materiais e em sistemas de iluminação e refrigeração, houve redução de 80% os gastos com energia aos moradores.
Ele diz que o custo de construção de uma casa popular inovadora costuma ser o mesmo de uma pelo método tradicional no Brasil. Já em prédios com mais de 60 andares, é possível reduzir o valor à metade ou menos.
Avaliação
O presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro, diz que a instalação de uma indústria dessas no Ceará não é simples, mas que pode ser um bom negócio para o Estado. ”É uma indústria que a gente pode colocar no Ceará e exportar para os outros estados do Brasil com ganho de produtividade, com sustentabilidade, é um avanço. Mas precisa de muito estudo ainda para saber se temos condições de fabricar aqui o que ele faz lá”.
Saiba mais
Nos últimos dois dias, o InovaConstruir Experience, realizado pelo Sinduscon-CE, reuniu no Hotel Gran Mareiro especialistas e empresários em torno da temática inovação no setor da construção civil.
“O setor estava parado, o evento mexeu com a cabeça do setor. Não adianta ficar reclamando, tem que partir para inovação para criar novos mercados, criar novos produtos e pensar em melhorar produtividade para o nosso setor voltar a crescer novamente”, diz André Montenegro, presidente do Sinduscon-CE.
Nenhum comentário:
Postar um comentário