sábado, 27 de agosto de 2016

Taxa de homicídio cai até 75,6% em bairros com ação do Ceará Pacífico

Os tiros eram ouvidos diariamente pela vendedora Mariana Araújo, 22. “A gente sabia que, toda noite, alguém tinha morrido”, diz. Moradora do Vicente Pinzon, ela nunca ouviu falar da primeira Unidade Integrada de Segurança do Ceará (Uniseg), inaugurada em março no bairro. Mas o cotidiano já sente os efeitos do projeto estadual: na região, houve redução de 75,6% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015. 
A Uniseg I abrange ainda os bairros Mucuripe e Cais do Porto. Além da redução de mortes violentas, de 37 para 9, os bairros registraram queda de 10,8% na taxa de Crimes Violentos Contra o Patrimônio (CVPs), que passaram de 279 para 249.

Os números, expostos ontem durante a apresentação do balanço de ações do Pacto por um Ceará Pacífico, mostram efeitos positivos também nos bairros Aldeota, Varjota, Meireles e Praia de Iracema, que compõem a área de atuação da Uniseg II. Na região, foram 42,9% menos mortes violentas (de 7 para 4 ocorrências). A redução dos crimes contra o patrimônio foi mais tímida (7,6%), caindo de 1.769 casos para 1.634.
De acordo com o governador Camilo Santana (PT), as unidades representam um conjunto de ações para fortalecer os territórios com piores indicadores de violência. “Monitoramento eletrônico, presença da Polícia, intervenções urbanas... Foram recuperadas praças, pavimentação, iluminação, instaladas delegacia 24 horas, escolas em tempo integral”, detalhou.

A previsão é de que os bairros Genibaú e Bom Jardim e a comunidade do São Miguel (Grande Messejana) também recebam uma Uniseg cada, o que ainda não tem data para ocorrer.
 
Mais policiais
Para a população, a presença de mais policiais é o principal sinal de que há mudanças na segurança dos bairros com as unidades. Como uma das iniciativas é a rotatividade de uma base móvel da Polícia Militar, a sensação de tranquilidade se torna mais real. “Dá um ar de segurança porque você sabe que isso intimida os bandidos. Mas, quando o caminhão sai, as coisas começam a acontecer de novo”, diz a técnica de enfermagem Priscila Silva, 25, que mora no Vicente Pinzon.

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