A Justiça decretou nesta sexta-feira, 26, a prisão temporáriada primeira-dama e ex-secretária do município deAracati, Eline Gomes de Oliveira (Assistência Social), acusada de tentar obstruir investigação da Justiça contra ela. Suspeita de integrar esquema de cobrança de propinas em até 20% sobre obras da gestão, a primeira-dama ainda não foi localizada pelas autoridades.
A ação integra 2ª fase da operação Lata Velha, que cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, um deles na residência da primeira-dama, no dia 6 de maio deste ano. Durante a operação, Eline, que é esposa do prefeito Ivan Silvério (PDT), teria ligado para uma pessoa alertando-a sobre a ação da Justiça, afirmando: “cuidado aí com algum documento”.
A fala foi considerada “clara” tentativa de obstrução da investigação. A prisão da primeira-dama foi decretada pelo juiz da 3ª Vara da comarca de Aracati, Jamyerson Câmara Bezerra, após pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado (MP-CE).
Segundo o MP-CE, propinas eram cobradas sobre obras da Secretaria de Assistência Social de Aracati durante gestão de Eline Gomes. O suborno iria para primeira-dama e duas assessoras, como forma de “troca de favores” entre as partes. “Tal conluio visava pagamento de comissões vinculadas a licitações manipuladas”, diz decisão do juiz.
Outro lado
A reportagem tentou entrar em contato com Eline Gomes, mas não conseguiu retorno. O advogado Paulo Quezado, responsável pela defesa da primeira-dama, afirmou que ainda espera receber a decisão da Justiça para comentar o caso. Ele destaca, no entanto, que Eline não está se ausentando e deve se apresentar às autoridades assim que possível.
A operação foi batizada “Lata Velha” em razão da justificativa apresentada por uma das investigadas de que os valores recebidos ilicitamente foram repassados durante uma “campanha” com o mesmo nome, que usaria o recurso para o conserto e reforma de um ônibus pertencente à Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Renda. A fraude foi denunciada por uma empresária, que gravou vídeo do repasse de propinas.
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