Antes do último domingo, a expectativa das autoridades responsáveis era de um Clássico-Rei mais tranquilo por conta da proibição das organizadas no Castelão. Não foi o que aconteceu. Com registros de vandalismo, porte de drogas, conflitos entre grupos rivais e homicídio, os problemas continuam cercando o jogo. Segundo representante do Ministério Público do Ceará (MP-CE), foi constatada, em vez de melhoria, uma piora nos casos de violência fora do estádio.
Coordenador do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), o promotor Francisco Xavier Barbosa Filho avalia que ter as organizadas Torcida Uniformizada do Fortaleza e Jovem Garra Tricolor, do Fortaleza, e a Cearamor, do Ceará, suspensas fez com que casos de violência não surgissem nas dependências da praça esportiva. Mas fora a história foi outra.
“O que aconteceu do lado de fora foi o aumento da violência. Isso nos assustou. Os confrontos entre as duas maiores torcidas (TUF e Cearamor) ocorreram não só ao redor da arena como também em zonas de periferia mais afastadas, como no Bom Jardim”, conta.
Plantonista do Juizado do Torcedor no dia do jogo, a juiza Maria José Bentes mostra descrença quanto a efeitos positivos da suspensão das organizadas a partir do clássico. “Tivemos muitas ocorrências, fiquei até tarde no estádio. A gente não vê melhoras, essa é a verdade”.
Além das brigas entre torcidas que continuam a ocorrer, problemas no trabalho da segurança do estádio ainda são detectados. O mais comprometedor deles é a falta de registro correto dos infratores por escrivães e policiais.
“A gente tem que cortar a própria pele. Tem BOs (Boletins de Ocorrência) que vêm como não delituosos. O que a gente faz? Não tem o que fazer, não dá para instaurar nada. É preciso chamar a atenção do escrivão ou do policial militar, que muitas vezes estão doidos pra ir pra casa”, revela o delegado titular do 16º Distrito Policial, Wilder Brito.
Fortaleza e Ceará voltam a se enfrentar no dia 27 de março (domingo), às 18 horas, no Castelão. Para o reencontro, a Polícia Militar promete aumentar o contingente de 713 PMs.
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