Na manhã da última sexta-feira, o deputado Carlomano Marques (PMDB) recebeu O POVO em um escritório montado em sítio na Pavuna, um dos bairros de Pacatuba. Espalhados no terreno, trios elétricos, um trenzinho infantil, algumas kombis e funcionários. Na recepção do local, alguns moradores esperavam para ser atendidos pelo parlamentar. Durante a entrevista, o peemedebista alternou momentos de serenidade e agitação, e não teve resistência em admitir que frequentou não só festas de Carnaval dentro do seu período de licença médica, mas também corrida de jegues e eventos religiosos.
Segundo ele, os atuais problemas de saúde não o impedem de participar dessas atividades, mas são empecilho para continuar no dia-a-dia do Legislativo. Argumentou que o uso de seu livre arbítrio para determinadas programações não significa que esteja bem de saúde. Mostrou-se ainda avesso a seguir orientações de quem quer que seja: “A Assembleia não manda em mim”, exaltou-se.Acompanhe abaixo os principais trechos do bate-papo.
OPOVO - O que fez o senhor decidir ser pré-candidato a prefeito de Pacatuba?
Carlomano Marques - Ainda não está decidido. Primeiro que essa decisão não pode ser monocrática. Quem vai decidir os candidatos de Fortaleza e da Região Metropolitana é o diretório Regional, o presidente Eunício (Oliveira, senador) e orientação dele é que vai prevalecer em Fortaleza e nos outros municípios. Eu me divorciei e moro aqui na Pavuna. De sorte que isso não é decisão minha. Ninguém é candidato de si mesmo. Evidente que com mandato de vereador e sete mandatos de deputado, devo ter aprendido alguma coisa. Se o partido nacional decidir, e esse é o rumo, que o PMDB vai ter candidatura em todas as capitais, e se o partido regional decidir que vai ter candidatura em Fortaleza, na RMF e no resto do Estado, e se o meu nome for o que o partido escolher para pré-candidatura, e se eu estiver bem de saúde, que eu não estou, posso pensar em ser. Não tenho nenhuma ansiedade de ser candidato. Pelo contrário, estou cansado. Estou com 30 anos de mandato. E tem a parte da minha constituição orgânica. Eu tive três infartos, tenho prótese no quadril, que não é brincadeira. Vou me operar agora no dia 8 de março de uma hérnia inguinal, de um hérnia umbilical e de uma hidrocelectomia. Depois de tudo isso vou ter que perder 10 quilos pra poder ficar melhor. Porque 30% da minha massa cardíaca é hipocinética, ou seja, o músculo está frouxo, comprometido. Só assim eu irei para esse sacrifício.
OP - Deputado, a gente sabe que nesse período pré-eleitoral, as movimentações são fortes. Nós recebemos, via email, alguma imagens de o senhor em eventos festivos, carnavalescos...
Carlomano - É porque só mandaram do Carnaval. Porque têm algumas coisas interessantes. Pacatuba são duas cidades. Tem o lado que é o Jereissati, que é o lado urbano, e tem o outro lado que é esse aqui que eu moro, a Pavuna, a Munguba, o Alto Fechado. Acho que foi domingo passado, teve uma corrida de jegue e eu tava lá. Eu ganhei uma corrida de jegue uma vez na (cidade de) Milhã com um jumento chamado Saddam Hussein (risos). Foi! Do tempo do Saddam Hussein (ditador iraquiano morto em 2006). E isso é uma coisa que eu gosto. Eu gosto de misturar, de ouvir e tudo. Eu tava lá na corrida de jegue. Duas mil pessoas. A Igreja da Pavuna passou a ser uma paróquia, veio o bispo, os párocos grande da região, e eu tava lá. Entendeu? Então eu estava no pré-Carnaval, no trio, e estive em todos os carnavais daqui. Estive no Carnaval da Munguba, na Pavuna, na pracinha, da sede. Todo canto. Agora qual é a questão? A questão é que o prefeito está muito desgastado. Ele tem uma UPA que há três anos está debaixo d’água. Tem um metro de água na parede. O hospital pegou fogo. O principal centro do PSF (Programa Saúde da Família) incendiou. Caiu o teto de uma escola, caiu o teto da rodoviária, caiu uma estrutura da Praça da Juventude. Tem três centros de educação infantil abandonados. O prefeito daqui (Alexandre Magno), não sei se é porque ele não tem vocação, porque política é vocação, identificação, é experiência, ele literalmente destruiu a cidade. Quem for prefeito vai sofrer muito só pra desatar os nós.
OP - Atualmente o senhor está de licença por motivo de saúde da Assembleia. O senhor acha que a participação nesses eventos condiz com a situação clínica que está nos atestados?
Carlomano - Deixa eu te dizer uma coisa: não sei se vocês ouviram falar do pernambucano chamado João Maria. Grande compositor que compôs aquela música famosíssima Ninguém me ama. Poeta. Ele morreu em Copacabana aos 49 anos de idade, no auge do sucesso, quando estava entrosado com os grandes compositores. Inclusive o Vinícius de Moraes fez uma poesia para ele: Meu Bom Maria. Uma poesia linda. Ele era cardíaco, como eu sou. Eu tenho quatro stents, sou fumante. Eu sei que é um risco, eu sou médico. Sei que é um risco, 62 anos, mas eu fumo. É meu livre arbítrio. Isso não quer dizer que eu não esteja doente. Eu fumo porque quero fumar. É do meu livre arbítrio fumar, tomar um whisky, tomar uma cerveja, uma cachaça. Isso não quer dizer que eu não tenha as patologias, que é isso o que querem embutir, né? “Porra, como é que esse cara tá de licença e tá num trio elétrico?”. E daí? Eu não posso andar num trio elétrico? Eu não posso assistir uma competição, uma carreira de jumento? Eu não posso ir a uma missa campal? É um contrassenso, né? Agora, como eles, na cabeça deles, do doutor Alexandre e companhia, como acham que eu sou candidato, e na verdade há um sentimento de bonomia das pessoas em relação a mim, então esse cara inventar uma coisa que não existe?! O fato de eu estar no trio elétrico, o que tem a ver com a minha cardiopatia? É uma decisão minha. Hoje é meu aniversário. Não vou beber porque eu tô me preparando para me operar. Se der tudo bem, eu vou analisar as outras opções. Agora, o que eu acho perverso e desonesto é o sujeito querer incendiar o Parlamento. Afinal de contas, a minha licença foi concedida pelo Parlamento.
OPOVO - O que fez o senhor decidir ser pré-candidato a prefeito de Pacatuba?
Carlomano Marques - Ainda não está decidido. Primeiro que essa decisão não pode ser monocrática. Quem vai decidir os candidatos de Fortaleza e da Região Metropolitana é o diretório Regional, o presidente Eunício (Oliveira, senador) e orientação dele é que vai prevalecer em Fortaleza e nos outros municípios. Eu me divorciei e moro aqui na Pavuna. De sorte que isso não é decisão minha. Ninguém é candidato de si mesmo. Evidente que com mandato de vereador e sete mandatos de deputado, devo ter aprendido alguma coisa. Se o partido nacional decidir, e esse é o rumo, que o PMDB vai ter candidatura em todas as capitais, e se o partido regional decidir que vai ter candidatura em Fortaleza, na RMF e no resto do Estado, e se o meu nome for o que o partido escolher para pré-candidatura, e se eu estiver bem de saúde, que eu não estou, posso pensar em ser. Não tenho nenhuma ansiedade de ser candidato. Pelo contrário, estou cansado. Estou com 30 anos de mandato. E tem a parte da minha constituição orgânica. Eu tive três infartos, tenho prótese no quadril, que não é brincadeira. Vou me operar agora no dia 8 de março de uma hérnia inguinal, de um hérnia umbilical e de uma hidrocelectomia. Depois de tudo isso vou ter que perder 10 quilos pra poder ficar melhor. Porque 30% da minha massa cardíaca é hipocinética, ou seja, o músculo está frouxo, comprometido. Só assim eu irei para esse sacrifício.
OP - Deputado, a gente sabe que nesse período pré-eleitoral, as movimentações são fortes. Nós recebemos, via email, alguma imagens de o senhor em eventos festivos, carnavalescos...
Carlomano - É porque só mandaram do Carnaval. Porque têm algumas coisas interessantes. Pacatuba são duas cidades. Tem o lado que é o Jereissati, que é o lado urbano, e tem o outro lado que é esse aqui que eu moro, a Pavuna, a Munguba, o Alto Fechado. Acho que foi domingo passado, teve uma corrida de jegue e eu tava lá. Eu ganhei uma corrida de jegue uma vez na (cidade de) Milhã com um jumento chamado Saddam Hussein (risos). Foi! Do tempo do Saddam Hussein (ditador iraquiano morto em 2006). E isso é uma coisa que eu gosto. Eu gosto de misturar, de ouvir e tudo. Eu tava lá na corrida de jegue. Duas mil pessoas. A Igreja da Pavuna passou a ser uma paróquia, veio o bispo, os párocos grande da região, e eu tava lá. Entendeu? Então eu estava no pré-Carnaval, no trio, e estive em todos os carnavais daqui. Estive no Carnaval da Munguba, na Pavuna, na pracinha, da sede. Todo canto. Agora qual é a questão? A questão é que o prefeito está muito desgastado. Ele tem uma UPA que há três anos está debaixo d’água. Tem um metro de água na parede. O hospital pegou fogo. O principal centro do PSF (Programa Saúde da Família) incendiou. Caiu o teto de uma escola, caiu o teto da rodoviária, caiu uma estrutura da Praça da Juventude. Tem três centros de educação infantil abandonados. O prefeito daqui (Alexandre Magno), não sei se é porque ele não tem vocação, porque política é vocação, identificação, é experiência, ele literalmente destruiu a cidade. Quem for prefeito vai sofrer muito só pra desatar os nós.
OP - Atualmente o senhor está de licença por motivo de saúde da Assembleia. O senhor acha que a participação nesses eventos condiz com a situação clínica que está nos atestados?
Carlomano - Deixa eu te dizer uma coisa: não sei se vocês ouviram falar do pernambucano chamado João Maria. Grande compositor que compôs aquela música famosíssima Ninguém me ama. Poeta. Ele morreu em Copacabana aos 49 anos de idade, no auge do sucesso, quando estava entrosado com os grandes compositores. Inclusive o Vinícius de Moraes fez uma poesia para ele: Meu Bom Maria. Uma poesia linda. Ele era cardíaco, como eu sou. Eu tenho quatro stents, sou fumante. Eu sei que é um risco, eu sou médico. Sei que é um risco, 62 anos, mas eu fumo. É meu livre arbítrio. Isso não quer dizer que eu não esteja doente. Eu fumo porque quero fumar. É do meu livre arbítrio fumar, tomar um whisky, tomar uma cerveja, uma cachaça. Isso não quer dizer que eu não tenha as patologias, que é isso o que querem embutir, né? “Porra, como é que esse cara tá de licença e tá num trio elétrico?”. E daí? Eu não posso andar num trio elétrico? Eu não posso assistir uma competição, uma carreira de jumento? Eu não posso ir a uma missa campal? É um contrassenso, né? Agora, como eles, na cabeça deles, do doutor Alexandre e companhia, como acham que eu sou candidato, e na verdade há um sentimento de bonomia das pessoas em relação a mim, então esse cara inventar uma coisa que não existe?! O fato de eu estar no trio elétrico, o que tem a ver com a minha cardiopatia? É uma decisão minha. Hoje é meu aniversário. Não vou beber porque eu tô me preparando para me operar. Se der tudo bem, eu vou analisar as outras opções. Agora, o que eu acho perverso e desonesto é o sujeito querer incendiar o Parlamento. Afinal de contas, a minha licença foi concedida pelo Parlamento.
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