- Anota aí teu nome completo. Bota bem direitim, viu?
Quantos dias tu quer?
A partir de que data?
Comprei um atestado médico na calçada da rua do Rosário, no Centro. A um quarteirão do prédio da Polícia Civil. Mas não estive com nenhum médico, não fui examinado por ninguém. Era um atestado falso. Foi mais fácil do que pensei, infelizmente. Da primeira abordagem que fiz até estar com o documento fraudado em mãos, gastei menos de uma hora.
Quantos dias tu quer?
A partir de que data?
Comprei um atestado médico na calçada da rua do Rosário, no Centro. A um quarteirão do prédio da Polícia Civil. Mas não estive com nenhum médico, não fui examinado por ninguém. Era um atestado falso. Foi mais fácil do que pensei, infelizmente. Da primeira abordagem que fiz até estar com o documento fraudado em mãos, gastei menos de uma hora.
O homem que me vendeu o papel usa o crachá de uma das várias clínicas que realizam exames trabalhistas. Vamos chamá-lo de “O Vendedor”. Ele organiza a entrada de pacientes e é também segurança do local. A transação é feita do lado de fora, com uma aparente tranquilidade do negociador.
Apesar de “O Vendedor” afirmar duas vezes que obtivera o atestado com um médico da própria clínica, o cabeçalho do atestado é da Secretaria Estadual da Saúde. A impressão parece ter sido cópia da cópia, o logotipo da Secretaria está bem escurecido e os dizeres também mostram borrões.
Apesar de “O Vendedor” afirmar duas vezes que obtivera o atestado com um médico da própria clínica, o cabeçalho do atestado é da Secretaria Estadual da Saúde. A impressão parece ter sido cópia da cópia, o logotipo da Secretaria está bem escurecido e os dizeres também mostram borrões.
prova da fraude: o carimbo do documento tem o nome de uma médica pediatra, que não atende naquela clínica nem em outra porque atua apenas como gestora hospitalar desde 2009 e é professora universitária. NemA médica pediu para não ter o nome divulgado. O POVO também opta por não identificar a clínica por não ter como comprovar o envolvimento na falsificação.
O secretário geral do Conselho Regional de Medicina (Cremec), Lino Holanda, não se disse surpreso com o caso. “Há anos enfrentamos esse problema. Vejo que tem quadrilhas fazendo isso. E já informamos à Polícia a respeito”. Holanda afirma que nem pode haver formulário de atestado de um serviço público sendo usado em clínica particular.
Paguei R$ 60 por dois dias de “liberação médica”. Poderia ser até de 20 dias, segundo “O Vendedor”.
- Cada dia é 30 reais.
Um dia é 30, dois é 60, três é 90.
Vai querer de quantos dias?
Pechinchei duas vezes para que deixasse por R$ 50, levei dois nãos. A “folga” seria para a Quarta-Feira de Cinzas e o dia seguinte, 10 e 11 de fevereiro. Foi um atestado pré-datado, ainda estávamos no dia 3 de fevereiro quando comprei.
- Põe infecção urinária. Ou bota dor na coluna? Tu que sabe.
Apesar das sugestões do “Vendedor”, decidi que seria “virose”. No documento comprado, houve o cuidado, inclusive, de ser preenchido corretamente o número “B-34”, da tabela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças). Indicação de que eu supostamente estaria com “doença por vírus, de localização não especificada”.
Para testar ainda mais a fraude, inventei na hora um nome falso: “Marcelo de Freitas Ramos”. Escrevi num papel e passei. Poderia ter indicado qualquer nome. Em momento nenhum, importante ressaltar, “O Vendedor” me pediu a identidade para checar se era, de fato, como me chamava. E voltou a ser enfático. a assinatura do atestado confere com a dela.
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