sábado, 12 de dezembro de 2015

Países adotam acordo histórico em Paris para salvar planeta de desastre climático

Um acordo inédito para lutar contra oaquecimento global, cuja velocidade ameaça o planeta com catástrofes climáticas, foi adotado neste sábado, 12, em Paris, sob uma salva de palmas por 195 países, após vários anos de negociações extremamente árduas.
"Estou olhando a sala, vejo que a reação é positiva, não ouço objeções, o acordo de Paris para o clima foi adotado", declarou, bastante comovido, Laurent Fabius, presidente da 21ª Conferência da ONU para o Clima e ministro das Relações Exteriores da França, batendo o martelo no púlpito.
Uma salva de palmas de vários minutos tomou conta da sala de conferências, seis anos após o fiasco da COP15 de Copenhague, que fracassou em selar um acordo parecido.
A embaixadora francesa Laurence Tubiana, braço direito de Laurent Fabius, deu um longo abraço em Christina Figueres, a responsável pelo clima da ONU, antes que o presidente francês, François Hollande, se juntasse a eles na tribuna. Sob gritos de comemoração, todos se cumprimentaram.
Antes de entrar na sessão plenária, o mais importante grupo de países, o G77+China (134 países emergentes e em desenvolvimento), disse estar satisfeito com o texto, que recebeu modificações foram feitas durante a madrugadas.
"Estamos unidos, estamos juntos. Ficamos felizes de voltar a nossos países com este texto", disse à AFP Nozipho Mxakato-Diseko, negociadora sul-africana e porta-voz do G77+China.
"Nós estamos quase no final do caminho e sem dúvidas no início de um outro", declarou Fabius, apresentando o texto. Ele convidou os países a adotarem "um acordo histórico" ao longo de um discurso já carregado de emoção e pontuado por aplausos. Não houve votação, já que o consenso é necessário no quadro da Convenção do Clima da ONU.
Na manhã deste sábado, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exortou todos os países a "terminarem o trabalho" e adotarem um pacto contra o aquecimento global. "O fim está próximo. Vamos terminar o trabalho agora. O mundo está assistindo. Milhões de pessoas dependem de sua sabedoria", declarou Ban aos delegados.
"Ponto de virada"
Refletindo um sentimento compartilhado pelas ONGs ambientalistas, o grupo ambientalista Greenpeace afirmou, antes de sua adoção, que o acordo marca um "ponto de virada" e relega os combustíveis fósseis "ao lado errado da História", afirmou o grupo ambientalista Greenpeace.
"A roda da ação gira lentamente, mas em Paris ela se transformou. O texto coloca claramente a indústria de combustíveis fósseis no lado errado da História", afirmou durante uma coletiva de imprensa o diretor do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo.
O acordo estabelece uma meta de manter o aquecimento global "bem abaixo de 2°C" e pede "esforços contínuos para limitar o aumento em 1,5°C", em relação à era pré-industrial. Um objetivo mais ambicioso do que os 2°C vislumbrados inicialmente, que era ansiosamente exigido pelos países mais vulneráveis.

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