NEGOCIAÇÃO
Planalto promete 5 pastas ao PMDB para reagir à crise
Governo precisa do partido, que tem 67 deputados, para garantir a aprovação do pacote fiscal

00:00 · 24.09.2015

São Paulo e Brasília. Em uma tentativa de estancar a atual crise política, a presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu entregar cinco ministérios ao PMDB, entre eles o da Saúde, para garantir o apoio da sigla a seu governo e evitar que dissidentes apoiem a abertura de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O Palácio do Planalto também precisa do partido, que tem 67 deputados, para garantir a aprovação dos projetos do pacote fiscal e evitar a votação de propostas que gerem impacto financeiro.
Dilma havia prometido anunciar a nova configuração da Esplanada dos Ministérios ontem. Mas a dificuldade em contemplar os aliados pode levar a petista a adiar para a semana que vem a definição de sua equipe.
O atraso tende a ampliar a instabilidade dos mercados financeiros, que têm expressado desconfiança sobre a capacidade da presidente de reagir à crise. Até agora, por exemplo, o governo ainda não enviou ao Congresso todos os projetos de corte de despesa e aumento de receita prometidos pela petista.
Em reunião ontem no Palácio da Alvorada, com Dilma e ministros petistas, o ex-presidente Lula alertou a presidente que ela não poderia desagradar as três principais alas do PMDB - do vice-presidente Michel Temer e das bancadas da Câmara e do Senado, lideradas por Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL), respectivamente- na montagem da nova equipe. "É melhor perder ministérios do que a Presidência", disse Lula, segundo relato de ministros.
Temer, Renan e Cunha disseram a Dilma no início da semana que não indicariam nomes para a nova composição ministerial, fazendo crescer os temores de que a sigla poderia abandonar o governo de fato. Ela, então, procurou os líderes das bancadas do PMDB na Câmara e no Senado.
Segundo o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do partido no Senado, Renan, Temer e outras lideranças partidárias delegaram aos líderes das bancadas as indicações para compor a reforma.
Em reunião pela manhã com a presidente, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), entregou o nome de sete deputados escolhidos pela bancada para ocupar dois ministérios. Para a Infraestrutura, resultado da fusão de Portos com Aeroportos, foram sugeridos nomes como os de José Priante (PA), Mauro Lopes (MG), Celso Pansera (RJ) e Newton Cardoso Júnior (MG). Para Saúde, Saraiva Felipe (MG) -já vetado por Dilma-, Marcelo Castro (PI) e Manoel Júnior (PB).
A indicação que conta com maior simpatia da petista para a Saúde, segundo assessores, é o de Manoel Júnior (PB), médico de formação e aliado de Cunha.
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