sexta-feira, 21 de agosto de 2015

MINHA CASA, MINHA VIDA

Dívidas de R$ 160 mi podem gerar 20 mil demissões

No Ceará, cerca de 30 construtoras responsáveis por 40 mil unidades habitacionais enfrentam problemas

00:00 · 21.08.2015
Os empresários Francisco Kubrusly, Alexandre Aciolli, Clausenes Duarte, André Montenegro e Jorge Duarte representaram a categoria
Cerca de 160 mil pessoas estão na espera por moradias em construção ( Foto: Kiko Silva )
Aproximadamente 20 mil postos de trabalho poderão ser perdidos caso o governo federal não pague a dívida que nutre junto às construtoras atuantes no programa de moradia popular Minha Casa, Minha Vida, no Ceará. Até o momento, cerca de cinco mil pessoas já foram demitidas. O setor está preocupado e cobra R$ 160 milhões em atrasos ocorridos desde o mês de outubro. Em torno de 30 construtoras, responsáveis por 40 mil unidades habitacionais, enfrentam os problemas. Os empresários relatam que "a situação está insustentável", alegando falta de dinheiro para pagar os salários dos servidores no fim deste mês.
Conforme o presidente do Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, a tendência será de paralisação nas obras e demissões em massa. "Não temos recurso para pagar a folha no fim de semana. Hoje, os fornecedores não querem nos vender mais, pois não têm a certeza de que vão receber. O governo tem um débito de R$ 80 milhões para com as empresas associadas ao Sinduscon-CE. Somado com as outras não associadas, não posso dizer com exatidão, mas aproximadamente seriam R$ 160 milhões em atraso do Minha Casa, Minha Vida", apontou.
O presidente falou ontem com a imprensa no auditório do Sinduscon-CE. Ele esteve acompanhado dos diretores Francisco Kubrusly, Alexandre Aciolli, Clausenes Duarte e Jorge Duarte. De acordo com Montenegro, o governo havia prometido efetuar o depósito de uma parte da dívida no último dia 15. Entretanto, nenhum valor foi recebido e nenhuma resposta foi dada às construtoras cearenses.
"Depois de muita pressão, o governo nos prometeu que faria os pagamentos dos atrasados até dia 15 de agosto, coisa que não aconteceu. E os pagamentos teriam uma nova regra, para podermos chegar aos nossos fornecedores e explicarmos. 90% do programa é feito de pequenas e médias empresas, que com o descompasso no pagamento, sofrem muito. E quando você atrasa a obra, o governo ainda lhe cobra pelo atraso. E não aceita como justificativa o atraso de pagamento. Estamos sendo subjugados pelo poder discricionário do Estado", disse Montenegro.
Adiantamento
Os empresários informam que as próprias empresas realizavam o adiantamento dos pagamentos de produtos e funcionários e eram ressarcidos pelo governo de dois a cinco dias, depois. Porém, desde o mês de outubro do ano passado, os atrasos começaram a ocorrer, em um fenômeno que em todo o País já causou 300 mil demissões.

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