DURO NA QUEDA
Eduardo Cunha diz que não vai deixar Presidência da Câmara
Na iminência de ser denunciado pela PGR, por envolvimento na Lava-Jato, o deputado disse estar tranquilo

00:00 · 20.08.2015
Brasília. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou, ontem, que qualquer partido tem o "direito democrático" de pedir sua saída, mas que não pretende se afastar. "Eu não farei afastamento de nenhuma natureza. Vou continuar exatamente no exercício pelo qual eu fui eleito pela maioria da Casa. Estou absolutamente tranquilo e sereno com relação a isso", declarou o peemedebista.
Na iminência de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por envolvimento no escândalo de desvios na Petrobras (corrupção e lavagem de dinheiro), o parlamentar ainda reagiu a um ofício da PGR encaminhado ao PSOL em que o órgão nega que investigações realizadas na Casa tenham tido acesso aos computadores dos 513 deputados.
O PSOL havia encaminhado um pedido de explicações a Janot com base num relato de Cunha de que a ação feita na Câmara vasculhou dados de todos os parlamentares.
No documento enviado ao partido, Rodrigo Janot diz não só que é inverídica a informação, como classificou a afirmação de Cunha aos líderes partidários de "no mínimo leviana". Na ocasião, a ação na Casa foi solicitada pela PGR e autorizada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
No dia 4 de maio, Teori Zavascki autorizou que um oficial de Justiça se encaminhasse ao Departamento de Informática da Câmara para retirar cópias que pudessem comprovar a autoria de Eduardo Cunha em um requerimento que poderia auxiliar nas investigações referentes ao suposto envolvimento do presidente da Câmara.
Janot respondeu que a ação teve como foco Cunha e a ex-deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ). "A leviandade da declaração reside no fato de que tenta usar como escudo a instituição Câmara dos Deputados - e, pela via da desinformação, seus pares - para atacar o Ministério Público Federal, embora a crítica à diligência seja de interesse exclusivo para a defesa do deputado Eduardo Cunha", declara Janot no ofício enviado ao líder do PSOL, Chico Alencar (RJ).

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