Traficantes pediram transferência para comprar liminares no CE
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil secção Ceará (OAB/CE), Valdetário Monteiro, afirmou, ontem, que existe a suspeita de que traficantes de outros Estados teriam pedido transferência para se beneficiar do esquema de venda de liminares no Ceará. “Suspeita é que traficantes do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, estavam sendo transferidos para o Ceará, e aqui postulavam, aos fins de semana, a possibilidade de obter liminares”, pontuou durante entrevista coletiva na sede da OAB/CE. Questionado, Valdetário afirmou que a suspeita surgiu após escutas telefônicas. As investigações correm em sigilo e também são apuradas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na mesma ocasião, Monteiro revelou que cerca de 30 advogados, cinco magistrados e dez servidores da Justiça cearense são investigados por envolvimento em suposto esquema de venda de liminares nos plantões judiciais.
A reação da entidade vem um dia depois de agentes da Polícia Federal cumprirem mandados de busca e apreensão, além de 13 prisões preventivas e afastamento do desembargador Carlos Feitosa (Tribunal de Justiça do Ceará), solicitadas pelo ministro Hermann Benjamim, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Esquema
Valdetário confirmou que as negociações existiram de fato. Segundo ele, antes De o fato vir à tona, já se ouvia falar do esquema dentro do Fórum, mas não de forma concreta e organizada. Quando foi denunciado à imprensa, à época pelo então presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Gerardo Brígido, os pedidos nos plantões chegavam a 50. Houve, segundo ressaltou, um dia com 68 pedidos, o que chamou atenção uma vez que a média é de 10 solicitações.
Por sua vez, classificou que essa é a acusação mais grave dentro da Justiça cearense e que a Ordem dos Advogados e o Tribunal de Justiça estão unidos em busca da verdade e acreditam que as investigações irão se intensificar após os mandados de busca e apreensão. Ele, inclusive, já se reuniu com a presidente do TJ, desembargadora Iracema do Vale. Valdetário detalhou, ainda, que as investigações revelaram que distribuição da propina entre os envolvidos ocorria dentro dos gabinetes do Tribunal. Mas, não pode dar mais detalhes em virtude de a ação correr em segredo de Justiça. Também afirmou que, em caso de irregularidades comprovadas, os advogados envolvidos serão expulsos da Ordem.
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