Terceiro maior açude está com 1,29%
05.05.2015
No trimestre de fevereiro a abril, as chuvas ficaram 23,1% abaixo do esperado para o período
Banabuiú/Iguatu. As águas do Açude Arrojado Lisboa (Banabuiú) deixaram de correr pelo Rio Banabuiú. A válvula de dispersão da represa administrada pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) foi praticamente fechada. A redução foi de 7,5m³/s para 107 l/s, deixando o afluente totalmente seco logo abaixo da jusante. Segundo o administrador do Arrojado Lisboa, Ariston Queiroz, a última vez que essa situação ocorreu foi há 15 anos.
Conforme o funcionário do órgão Federal, a decisão foi tomada, na última semana, pelo Comitê de Gestão das Sub-bacias do Vale do Jaguaribe, incluindo a do Banabuiú. Para ele, o terceiro maior açude do Ceará chegou ao seu limite. Está apenas com 1,29% da capacidade. Atualmente a carga hídrica disponível será suficiente apenas para abastecer a cidade de Banabuiú, explicou.
A última vez em que o Arrojado Lisboa atingiu uma situação tão crítica foi no período de 1997 a 2001. Três anos depois, o reservatório voltou a acumular água, e, em 2004, sangrou. Todavia, a situação atual é bem diferente.
O Fogareiro, em Quixeramobim está com apenas 0,76% do volume, o equivalente a 900 mil/m³; o Serafim Dias, em Mombaça, tem praticamente a mesma quantidade, representando 2,5% do seu volume e o Patu, em Senador Pompeu, com situação um pouco melhor, cerca de 13% do seu volume, 9,2 milhões de metros cúbicos. Somente quando sangrarem, a represa federal, inaugurada em 1966, voltará a receber novamente considerável volume de água.
Na avaliação do servidor do Dnocs, que monitora o açude desde 1998, a decisão do Comitê foi tardia, consequência de uma decisão errada tomada pelo colegiado representado por cinco comitês do Vale do Jaguaribe, incluindo o da Sub-bacia do Banabuiú. Em 2014, resolveu deixar a válvula aberta por um período de 90 dias, o suficiente para soltar rio abaixo 28 milhões de m³ de água. Naquela época, a situação era menos crítica em relação à atual, mesmo assim a água correu com abundância. Se não ocorresse o desperdício, hoje estaria com 48 milhões de m³, ressaltou o servidor do Dnocs.
No início de fevereiro o prefeito de Banabuiú, Veridiano Sales, havia ingressado com ação na Justiça para interromper a vazão de 7,8 m/s. Até a última decisão do Comitê do Vale do Jaguaribe, o pedido ainda não tinha sido atendido. Ele alertava para o problema e, principalmente, para os prejuízos às comunidades de pescadores e ribeirinhos do açude, mais afetadas com a redução do volume no Açude. Agora, os barraqueiros estabelecidos na jusante, onde funciona o balneário da cidade, também estão sendo prejudicados. Somente três meses depois, os membros do Comitê reconheceram definitivamente a gravidade do problema.
Além de Banabuiú, os municípios de Morada Nova e Ibicuitinga estão sendo afetados. Conforme o gerente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) na Bacia do Banabuiú, Luís Pimentel, com a redução do volume de água na válvula do Arrojado Lisboa, Morada Nova passará a receber água por meio de uma adutora de montagem rápida interligada ao Eixão das Águas. A adutora já está funcionado. A população de Ibicuitinga, passa a contar com poços profundos. Quatro deles já foram perfurados.

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