quarta-feira, 27 de maio de 2015

PREJUÍZO

Perda da safra é acima de 90% em algumas regiões do sertão

27.05.2015

Em locais como Mauriti, o que sobrou da plantação de milho mal dá para alimentar o rebanho bovino

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Desolados, os agricultores do sertão esperam pela liberação do Seguro Safra para amenizarem as perdas que tiveram em 2015
FOTO: HONÓRIO BARBOSA
Mauriti. A falta de maior volume de chuvas durante a quadra invernosa deste ano já responde por inúmeros prejuízos no setor agrícola cearense. Em Mauriti, maior produtor de grãos do Estado, agricultores já iniciaram o processo de contabilizar as perdas nas lavouras de milho, ocasionadas pela manutenção da estiagem que assola o Interior cearense e caminha para o seu quarto ano consecutivo.
A perda de milho em Mauriti chega a 100% e os produtores rurais, a maioria agricultores familiares, agora espera pela liberação dos recursos oriundos do Programa Garantia Safra e pelo perdão das dívidas adquiridas através de linhas de financiamento agrícola, como forma de diminuir os prejuízos.
Em grande parte das regiões que formam o município, o que sobrou do milho mal dá para alimentar o rebanho bovino. Em algumas propriedades, inclusive, a forragem produzida a partir da palha da cultura já foi consumida pelos animais.
Muitos agricultores reclamam, ainda, da falta de assistência técnica por parte da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), durante o processo do plantio e da redução na quantidade de sementes distribuídas pelo Programa Hora de Plantar, que acabou fazendo com que grande parte dos produtores comprassem sementes em casas especializadas.
"Aqui a gente perdeu a lavoura inteira. Nos plantamos 17 tarefas de terra e não deu uma espiga de milho nem pra contar a história", lamenta a agricultora Maria de Fátima Pereira Furtado, residente no sítio Malhadinha, na zona rural de Mauriti. Conforme a rurícola, os prejuízos contabilizados poderiam ter sido diminuídos se o volume de sementes distribuídas pelo Governo do Estado tivesse sido maior. "Esse ano eu só consegui receber um saco de milho de 20kg. O resto eu comprei tudo. Plantei seis sacos de milho. Paguei R$ 25 em cada um deles. Menos o que recebi do governo", disse.
O agricultor Domingos Maranhão, que plantou cerca de 100 hectares de milho em uma propriedade localizada na região de Coité, também perdeu toda a lavoura por causa da falta das chuvas. Ele reclamou da falta da assistência técnica e da pouca quantidade de sementes distribuídas pelo programa estadual neste ano. "Assistência técnica não teve nenhuma. A gente só recebe assistência técnica quando faz algum projeto e encaminha pro banco. Fora isso, não tem assistência. Eu comprei 30 sacos de 60kg de milho pra plantar esse ano. Perdi tudo. Não sobrou nada. O que tinha ficado o gado já comeu. Agora é esperar pelo governo. Pedir a Deus que a presidente perdoe as dívidas feitas com os bancos. Se não, é trabalhar dobrado pra pagar a conta", comentou o agricultor.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Mauriti, além da cultura do milho, a safra de feijão para este ano também já está comprometida em mais de 90%. O secretário de Politicas Agrícolas da entidade, Moacir Batista, avaliou que a situação em torno da produção de grãos no município vem se complicando a cada ano por falta das chuvas, principalmente, mas, também, devido a existência de falhas nas políticas públicas em vigor.

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