Polícia pedirá mais tempo para investigar morte de italiana
11.03.2015
Ainda sem desfecho, termina hoje o prazo de 45 dias dado pela Justiça para a Polícia concluir o inquérito
A Polícia solicitará hoje à Justiça prorrogação do prazo para conclusão das investigações no inquérito policial do assassinato da italiana Gaia Molinari, encontrada morta na vila da Praia de Jericoacoara. O desfecho do documento é aguardado pelos possíveis pedidos de indiciamento no crime. O quebra-cabeças está com peças soltas e a missão de montá-lo cabe à equipe de investigadores chefiada pela delegada Patrícia Bezerra, da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur), que até ontem estava em Jericoacoara.
Dezenas de horas de depoimentos, ultrapassando 500 páginas, e pouco mais de 20 diferentes amostras para checagem de material genético foram produzidos nos 75 dias desde que a turista italiana foi encontrada morta. A pergunta ainda não pode ser respondida. A Polícia ainda não sabe quem matou Gaia ou, se acredita saber, está buscando mais elementos substanciais que fundamentem as linhas de investigação traçadas.
Única apontada publicamente como suspeita, dentre os suspeitos, a farmacêutica carioca Mirian França tenta retomar a rotina no Rio de Janeiro: universidade, pesquisas em laboratório e família. Novos objetos encontrados e laudos periciais com materiais genéticos ainda mantêm, para a Polícia, algumas peças no lugar onde estão, o que inclui Mirian na condição de suspeita. Para a Defensoria Pública do Estado, não há sustentação para indiciamento da farmacêutica.
Procurada, a delegada Patrícia Bezerra não quis se pronunciar sobre o andamento das investigações ou do pedido de prorrogação do inquérito. A reportagem apurou que no relatório enviado à Justiça não constam indiciamentos, devendo ocorrer somente na conclusão.
O tempo para investigação é determinado pela Justiça. Após o primeiro mês, houve prorrogação por mais 45 dias, encerrando hoje. O próximo prazo varia conforme o entendimento do Poder Judiciário durante a apreciação do pedido, podendo ser prorrogado por mais 30 dias ou até seis meses.
Já foram muitas idas e vindas de inspetores à vila praiana. Tentar fechar a conta de quantos olhos viram Gaia até sua morte. As areias do Serrote, onde acharam o corpo, foram reviradas em busca de novos vestígios. Eles surgiram: amostras de DNA foram colhidas em um cordão supostamente de Gaia encontrado vários dias após a própria perícia no local.
Denúncias
A Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) recebeu telefonemas anônimos de Jericoacoara apontando possíveis pistas sobre a morte de Gaia. As denúncias geraram novas diligências e depoimentos de moradores da vila foram confrontados com as evidências alcançadas até agora.
Rumores de que um rezador místico teria assumido a autoria do crime foram checados pela Polícia. O homem de aproximadamente 30 anos teria transtornos mentais.
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