terça-feira, 24 de março de 2015

OPERAÇÃO LAVA-JATO

Juiz abre ação penal contra 27 investigados

24.03.2015

Foram incluídos o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco

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João Vaccari Neto é acusado de lavagem de dinheiro. Ele teria recebido propina desviada de obras da Petrobras na forma de doações partidárias
FOTO: FOLHAPRESS
Curitiba. O juiz federal Sérgio Moro aceitou ontem denúncia contra 27 investigados na Operação Lava-Jato, entre eles o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
A ação penal inclui o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, além de outros investigados na décima fase da operação, deflagrada semana passada.
A partir de agora, os envolvidos serão chamados a prestar depoimento, poderão apresentar defesa e indicar testemunhas. Entre os acusados que também se tornaram réus estão o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e executivos de empreiteiras, já investigados em outras fases da Operação Lava-Jato. Todos são acusados dos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de quadrilha.
Na denúncia, os procuradores apontam novos desvios de recursos em contratos com a Petrobras. Desta vez, as obras investigadas foram a Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, no Paraná, e a Refinaria de Paulínia, em São Paulo.
Para os procuradores, João Vaccari Neto participou de reuniões com Renato Duque, nas quais eram acertados os valores que seriam transferidos ao PT por meio de doações legais. Ao abrir a ação penal, Moro informou que "há prova documental do repasse de parte da propina em doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores, o que teria sido feito por solicitação de Duque e de Vaccari". Segundo Moro, a comprovação de doações legais não encobre a origem ilícita de recursos.
"A realização de doações eleitorais, ainda que registradas, com recursos provenientes de crime, configura, em tese, crime de lavagem de dinheiro. Além disso, se, como afirma o MPF, as doações foram acertadas como parte da propina dirigida à Diretoria de Serviços, há igualmente participação de João Vaccari no crime de corrupção passiva", ressaltou o juiz.
A defesa de Vaccari afirma que o tesoureiro não participou de nenhum esquema para arrecadação de propina para o Partido dos Trabalhadores. A defesa de Renato Duque também nega que ele tenha recebido propina e movimentado dinheiro em contas secretas no exterior.
Transferência
O juiz Sérgio Moro autorizou a transferência de 12 presos da Operação Lava Jato da carceragem da Policia Federal para o Complexo Médico Penal em Curitiba. A decisão foi publicada ontem. O pedido havia sido feito pela Superintendência da PF no Paraná, que alegou ter pouco espaço para abrigar todos os detidos em sua carceragem.

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