OPERAÇÃO FIDÚCIA
Em um ano, gerente liberou 17 empréstimos
26.03.2015
Segundo a investigação, de maio de 2012 a maio de 2013, o funcionário liberou a quantia de R$ 15,8 milhões
O então gerente da Caixa Econômica Federal (CEF), Israel Batista Ribeiro Júnior, foi peça-chave na liberação de vários empréstimos obtidos pelo grupo responsável por fraude milionária à instituição. A reportagem apurou que, no período de maio de 2012 a maio de 2013, ele concedeu 17 financiamentos fraudulentos a empresas investigadas pela Polícia no valor de R$ 15, 8 milhões. Por sua vez, os investigadores descobriram que ele obteve vantagem financeira a partir das contas dos suspeitos da organização criminosa, como quando recebeu duas transferências eletrônicas, no valor de R$ 35 mil cada.
As informações constam da investigação sigilosa comandada pela Polícia Federal (PF) que resultou na deflagração, na manhã da última terça-feira (24), na Operação Fidúcia. A PF obteve dados de auditoria interna da CEF e iniciou as apurações.
Os investigadores descobriram que o empresário Ricardo Alves Carneiro, personagem conhecido nas festas mais badaladas da Cidade e que circulava com desenvoltura por diversos setores da sociedade, movimentou, em duas contas correntes, no período compreendido de janeiro de 2012 a outubro de 2014, a quantia de, aproximadamente, R$ 100 milhões.
Dezessete pessoas tiveram as prisões preventiva e temporária (ver lista) decretadas, mas segundo a PF, outras 31 teriam ligação com o esquema criminoso que resultou em fraude milionária à Caixa Econômica Federal (CEF).
Durante a ação, os agentes cumpriram 56 mandados expedidos pelo juiz Francisco Luís Rios Alves, da 32ª Vara da Justiça Federal. A PF ainda procura três suspeitos que tiveram os mandados de prisão expedidos, mas não foram encontrados e são considerados foragidos.
Durante as buscas, veículos de luxo foram apreendidos como uma Maserati, com valor estimado em torno de R$ 1,2 milhão; um Porsche, de aproximadamente R$ 600 mil; além de BMWs e Mercedes. Um avião de pequeno porte, que pertenceria a Ricardo Alves, também foi localizado em um hangar. Para a Polícia não existe nenhuma dúvida de que Ricardo Alves Carneiro é o principal integrante do grupo criminoso sob investigação e um dos chefes da quadrilha. Ele seria responsável pela organização, planejamento e execução das fraudes cometidas, conforme a PF.
Além disso, teria função preponderante no aliciamento de pessoas que figuravam como sócias "laranjas" na constituição das empresas de fachada. Ricardo, de acordo com as investigações, era o responsável também por aliciar funcionários da CEF com o objetivo de obter facilidades na concessão dos empréstimos fraudulentos.
A PF descobriu, durante a apuração da fraude, que Ricardo Alves Carneiro falsificou sua cédula de identidade criando o "personagem" de Ricardo Carneiro Filho. Os agentes descobriram que o endereço e telefone ligados aos documentos são os mesmos, assim como a filiação e data do nascimento, apenas com algumas modificações. No entanto, os federais descobriram que ele cometeu erros na apresentação dos documentos e chegou a se confundir e apresentar os nomes em situações semelhantes e levantou suspeitas.
Financiamentos

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