LAVA-JATO
R$ 182 milhões foram repatriados pelo MP
12.03.2015
Após acordo de delação premiada de Pedro Barusco, dinheiro ilegal que estava na Suíça retornou ao Brasil
São Paulo/Curitiba. O Ministério Público Federal informou, ontem, ter repatriado R$ 182 milhões que estavam depositados na Suíça em contas do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, o maior valor já recuperado pelo Brasil, segundo o órgão. Desse total, R$ 139 milhões já chegaram à Justiça Federal do Paraná e R$ 43 milhões estão encaminhados. As transferências foram autorizadas pelo próprio delator da Operação Lava-Jato como parte do acordo firmado com a força-tarefa.
Barusco era o braço direito do ex-diretor de Serviços Renato Duque, indicado pelo PT para o cargo e alvo da investigação por suspeita de corrupção passiva, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. O ex-gerente amealhou em propinas US$ 97 milhões (R$ 302,2 milhões, pelo câmbio oficial de ontem), segundo admitiu em depoimento à Polícia Federal e à Procuradoria Barusco abriu mão da fortuna e concordou em comunicar as instituições financeiras na Suíça sua disposição em repatriar os valores.
Se a repatriação seguisse os trâmites tradicionais, via cooperação jurídica internacional, o procedimento poderia se arrastar por anos. Os valores já trazidos pelo Ministério Público Federal ao Brasil foram depositados na conta judicial da 13.ª Vara Criminal Federal em Curitiba, base da Lava-Jato.
A Justiça Federal em Curitiba explicou que parte dos recursos repatriados, equivalentes a US$ 29,5 milhões (R$ 91,9 milhões), serão destinados à Justiça Federal do Rio, onde tramita um processo contra Barusco relativo à propina recebida da SBM, multinacional holandesa que reconheceu ter subornado funcionários da Petrobras.


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