EM TODO O PAÍS
Políticos lamentam a exclusão nos protestos
17.03.2015
Parlamentares e demais detentores de mandato foram alertados, antes dos atos, de que não iriam ter direito a falar
Os protestos do último domingo, em todos os estados brasileiros, apontavam para a presidente Dilma Rousseff e o seu partido, o PT, mas atingiu a todos os políticos ao não permitirem, seus organizadores, que qualquer líder partidário ou detentos de mandatos se utilizassem dos espaços e dos microfones dos coordenadores para expressarem suas posições, mesmo contrária ao Governo petista.
Alguns políticos que apareceram, inclusive em Fortaleza, no encontro da Praça Portugal e nos demais pontos do País evitaram exposição temendo reação adversa, pois estavam advertidos de que não poderiam fazer proselitismo nos eventos.
Ouvidos pela reportagem do Diário do Nordeste, alguns oposicionistas, sem esconder a frustração, destacam o caráter não partidário da mobilização, os governistas acusam os adversários de estarem por trás dos promotores. Tem ainda quem veja o impedimento de discursos políticos como um desconforto dos brasileiros com seus representantes, em função de falhas no sistema político do País.
De acordo o deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB), a direção do seu partido se reuniu, antes das manifestações, e orientou a todos a participarem das manifestações como cidadãos, e não como filiados a agremiação, para "quebrar o discurso de que é terceiro turno".
Parecer
Já o deputado federal Danilo Forte (PMDB) avaliou ser conveniente que os partidos políticos não tenham participado efetivamente dos atos, sendo uma oportunidade para o surgimento de novas lideranças. "A manifestação foi convocada pelos setores da sociedade e as pessoas, enquanto cidadãos, puderam participar. Eu fui, levei minha família, fiz questão de levar minha filha para ela ver que para tudo tem que ter luta".
Na visão de José Airton (PT), entretanto, a mobilização teve caráter partidário. "Isso aí foi uma estratégia para não dar uma caracterização partidária. De não querer parecer político, mas todo mundo sabe que (partidos de oposição) apoiaram". O deputado estadual Elmano Freitas (PT) também vê a postura como uma tática da oposição.


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