quarta-feira, 11 de março de 2015

Cultura em tempos de crise: o que pensa Juca Ferreira

11.03.2015

Em visita a Fortaleza e Cariri, o Ministro da Cultura falou sobre crise, mudanças, o Ceará e parcerias possíveis

Image-0-Artigo-1812868-1
Não acredito em políticas públicas criadas em gabinete - com essa afirmação, Juca Ferreira, titular do Ministério da Cultura (Minc), conseguiu arrancara aplausos dos presentes à sessão especial sobre políticas públicas para cultura, realizada ontem, às 11h, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Na oportunidade, aproveitou para dar uma injeção de ânimo nos gestores, produtores e demais integrantes da cadeia cultural - um dos objetivos da verdadeira cruzada que o ministro pretende fazer Brasil afora, começando pelo Ceará.
Empossado em janeiro passado, Juca Ferreira segue percorrendo o País com a Caravana Cultura Viva, que, segundo ele, tem o objetivo de coletar demandas e expectativas sobre as ações do ministério por parte do setor cultural, de gestores, artistas e produtores.
Acompanhado pelo Secretário da Cultura do Ceará, Guilherme Sampaio - e contando com a presença do Secretário de Cultura de Fortaleza, Magela Lima - o Ministro aproveitou sua ida à casa legislativa para prestigiar a entrega do Plano Estadual de Cultura, que deve entrar em tramitação.
 
Guilherme aproveitou a ocasião para adiantar o anúncio da assinatura da ordem de serviço da reforma da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, que deve ser assinada amanhã, com obra orçada em R$ 9 milhões. "Vamos utilizar um dos galpões do complexo da Estação João Felipe para que os visitantes da biblioteca possam ter acesso aos livros durante as obras", detalhou. A visitação está suspensa desde o primeiro semestre do ano passado.
Crise
Juca Ferreira é um dos defensores da PEC da Cultura - em tramitação no Senado Federal - que estabelece 2% do orçamento federal para a cultura, e mais 1,5 % do orçamento estadual e 1% do orçamento municipal, destinados às suas respectivas secretarias. "Quando começamos o governo do presidente Lula, em 2003, o orçamento era R$287 milhões. Esse foi o orçamento que herdamos do Governo FHC. No final do Governo Lula, oito anos depois, eram R$ 2,3 bilhões", defende, apesar do recente corte no orçamento, que se distanciou ainda mais da meta.
O orçamento do ministério sofreu cortes do ano passado para cá, caindo de R$ 3,26 bilhões, para R$ 2,6 e permanecendo ainda muito distante do que estabelece a proposta, cuja bandeira foi assumida no âmbito estadual pelo Governador Camilo Santana como um compromisso de gestão.
"A área cultural sempre viveu na pobreza e em dificuldades. Ninguém vai arrastar o Brasil para o fundo do poço", num misto de entusiasmo e emoção, sem deixar de tocar em um ponto delicado: a corrupção. "É preciso punir e modernizar o Estado, que deve ter responsabilidade sobre a produção, difusão e fomento das manifestações culturais, tanto tradicionais quanto contemporâneas". Para tornar realidade o discurso, a saída é trabalhar, defendeu, citando a abertura de bibliotecas e centros culturais públicos. Daí a ideia de seguir com a caravana do MinC por todos os estados brasileiros, no sentido de retomar projetos realizados durante os oito anos do governo Lula. O Programa Cultura Viva é um deles, mediante os Pontos de Cultura - no Ceará existem 200 que precisam ser reativados. O ministro reconhece ser pouco o dinheiro para o programa, acreditando ser deles que saem os grandes artistas.
Visita

Nenhum comentário:

Postar um comentário