segunda-feira, 16 de março de 2015

APRESENTAÇÃO DE PROJETOS

Deputados dizem ser reféns da Constituição

16.03.2015

Parlamentares justificam ausência de mais projetos relevantes a barreiras na legislação

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O deputado Professor Teodoro defendeu que a Constituição Federal poderia dar mais poderes aos legisladores estaduais
FOTO: JOSÉ LEOMAR
De todos os projetos apresentados pelos deputados da Assembleia Legislativa até aqui, muitos deles são denominando equipamentos a serem inaugurados pelo Estado ou vias públicas. Os parlamentares da Casa Legislativa, no entanto, apontam que existem limitações para a apresentação de projetos que sejam de importância efetiva para a população, e culpam a Constituição do Estado.
No Art. 60 da Carta, que trata das iniciativas de leis diz, por exemplo, que não será admitido aumento de despesa, prevista nos projetos de iniciativa exclusiva do Governador do Estado, e nos projetos sobre a organização dos serviços administrativos da Assembleia Legislativa, dos Tribunais Estaduais e do Ministério Público Estadual.
O deputado Professor Teodoro (PSD), por exemplo, disse que a Constituição Federal poderia dar mais poderes aos legisladores dos estados, pois segundo ele, de certa forma há uma dependência dos parlamentares quanto à prerrogativa de legislar. "No caso, temos que, muitas das vezes, encaminhar projetos de Indicação, discutir várias vezes, e ter um processo de articulação muito grande com o Governo para que ele encaminhe logo a proposta como projeto de Lei".
Teodoro já levou o tema algumas vezes para a tribuna da Assembleia, lamentando que os parlamentares fiquem reféns de algumas determinações constitucionais. O socialista Renato Roseno também reclamou da norma, e disse que se faz necessário ampliar as competências de trabalho e prerrogativas do parlamentar. "Aqui se limita bastante, pois muitas propostas são de iniciativa apenas do Estado", afirmou o parlamentar.
Já Ely Aguiar (PSDC) lamentou que suas propostas sejam encaminhadas para o Governo do Estado, como projeto de Indicação, que é uma sugestão, e demorem para receber uma resposta do Poder Executivo, isso quando há resposta. "O deputado aqui não pode apresentar, por exemplo, projeto para criar determinada secretaria. Temos essas limitações, e por isso nos apegamos aos projetos de Indicação. Se eu quiser criar uma delegacia para crimes cibernéticos, eu tenho que apresentar uma Indicação, e com a Indicação o Governo faz o que quer", pontuou.
Conforme explicou, muitas das vezes, o parlamentar fica "engessado", dependendo do Poder Executivo. "Eu sou favorável à autonomia dessa Casa, já que somos representantes da população, e queremos representar de forma direta", disse.
Audic Mota (PMDB) foi mais além dos colegas, e afirmou que vai propor, na Justiça, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) à emenda constitucional aprovada em 2009, que segundo ele, tirou algumas das prerrogativas do Legislativo, como a prerrogativa para determinados projetos de lei.

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