APÓS TRAGÉDIA
Companhias aéreas mudam acesso à cabine
27.03.2015
A Polícia busca na casa do copiloto indícios sobre o que pode ter levado o alemão a derrubar o avião
Paris/ Berlim/ São Paulo. Ao menos sete companhias aéreas estrangeiras anunciaram ontem que passarão a manter dois tripulantes na cabine durante todo o tempo de voo. Trata-se de medida em resposta à divulgação de que o copiloto Andreas Lubitz, 28, trancou-se sozinho na cabine de comando do Airbus A320 da Germanwings momentos antes de a aeronave cair sobre os Alpes franceses, na terça-feira (24).
As companhias aéreas são as britânicas Virgin Atlantic, Easyjet e Thomas Cook, a norueguesa Norwegian Jet e as canadenses Air Transat, Air Canada e Westjet. O número tende a aumentar porque autoridades de aviação civil do Reino Unido e do Canadá disseram que pedirão a todas as empresas de seus respectivos países a manter, sempre, dois tripulantes na cabine de comando.
Em todos os casos, as medidas deverão entrar em vigor nos próximos dias. No Brasil, pilotos da Avianca disseram ter sido avisados de que a companhia fará o mesmo. A empresa não confirma, por enquanto.
O procedimento funcionará assim: se um piloto precisar sair para ir ao banheiro, por exemplo, um comissário de bordo entrará no cockpit para não deixar a cabine com apenas um piloto. Quando o profissional retornar, o comissário deixa o cockpit.
Segundo autoridades francesas, Andreas Lubitz aproveitou-se do fato de o comandante da aeronave ter saído.
Quando ele tentou voltar, o copiloto não permitiu a entrada - quem está na cabine de comando pode bloquear tentativa de abertura da porta, procedimento criado após os ataques terroristas do 11 de Setembro.
Lubitz morava em Düsseldorf por razões profissionais, mas ainda mantinha residência na casa dos pais, em Montabaur. O local foi revistado pela polícia nesta quinta-feira. Policiais também foram vistos perto do apartamento dele em Düsseldorf.
O copiloto do Airbus A-320 da Germanwings tinha 630 horas de voo. A informação foi dada pelo grupo alemão Lufthansa, proprietário da Germanwings. A companhia já havia informado que o comandante da aeronave, Patrick Sonderheimer, tinha dez anos de experiência, com mais de seis mil horas de voo.


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