quinta-feira, 19 de março de 2015

"ACHACADORES"

Em sessão tumultuada, Cid mantém acusação e deixa cargo de ministro

19.03.2015

A sessão foi convocada para que ele explicasse a declaração de que na Câmara havia "300 ou 400 achacadores"

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Em tom de enfrentamento, Cid criticou clima de "oportunismo"
FOTO: SÉRGIO LIMA/ FOLHAPRESS
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Uma das declarações mais fortes contra o ex-ministro foi do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) que chamou Cid Gomes de 'palhaço'
FOTO: AGÊNCIA CÂMARA
Brasília. A crise entre o governo Dilma Rousseff (PT) e o Congresso Nacional chegou ao auge na tarde de ontem. Após ter passado apenas 77 dias no cargo e participar de uma sessão com direito a bate-boca na Câmara dos Deputados, Cid Gomes (Pros), deixou ontem o Ministério da Educação.
Minutos antes o PMDB ameaçara deixar a coalizão governista. Tensa, a relação entre o Executivo e o Legislativo registrou o nível máximo de desgaste depois que Cid, dedo em riste em direção à Mesa Diretora da Câmara, afirmou preferir "ser acusado por ele de mal educado", o presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "do que ser como ele, acusado de achaque".
Em tom de enfrentamento, Cid disse não concordar com a postura de quem "mesmo estando no governo, os seus partidos participando do governo, têm uma postura de oportunismo".
"Partidos de oposição têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo", afirmou o ex-governador do Ceará.
A sessão convocada para que ele desse explicações sobre sua declaração de que haveria entre os deputados "300 ou 400 achacadores" transformou-se em um intenso bate-boca que culminou com o abandono da sessão pelo então ministro. O PMDB ameaçou retaliar o governo retirando seu apoio no Congresso Nacional e Cid seguiu ao Palácio do Planalto, de onde já saiu como ex-ministro.
A saída de Cid do cargo foi anunciada por Eduardo Cunha, que ainda estava no plenário da Câmara, a partir de informação que havia sido repassada por telefone pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e os prefeitos de Fortaleza, Roberto Cláudio (PSB), e de Sobral, Veveu Arruda (PT), acompanharam o ministro durante a sessão. Outros apoiadores, como os deputados estaduais Manoel Duca (Pros)e Osmar Baquit (SD), foram retirados das galerias por ordem de Cunha. Eles ficaram em frente a um telão instalado no Salão Verde para acompanhar a sessão.
Convocação

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