sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

MENSAGEM NATALINA

Papa Francisco denuncia perseguição aos cristãos

26.12.2014

Emocionado, o pontífice pronunciou a bênção diante de uma multidão de fiéis que estavam na Basílica de São Pedro

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Francisco citou as 'crianças massacradas nos bombardeios', incluindo as da Terra Santa, e condenou que 'tantas crianças sejam vítimas de violências, objeto do tráfico ilícito e tráfico de pessoas'
FOTO: REUTERS
Cidade do Vaticano. O papa Francisco denunciou a "perseguição brutal" aos cristãos no Iraque e na Síria praticada pelo grupo Estado Islâmico (EI), durante a mensagem de Natal, ao mesmo tempo que criticou a violência contra as crianças em meio a "tanta indiferença".
Emocionado e indignado, o papa argentino, de 78 anos, pronunciou a bênção "urbi et orb" (à cidade e ao mundo) na Basílica de São Pedro, diante de uma multidão de fiéis, quase 100.000 pessoas reunidas em um clima nublado, mas agradável.
Sem citar o EI, o pontífice condenou a "perseguição brutal" sofrida por "nossos irmãos e irmãs cristãos do Iraque e da Síria", ao lado de "outros grupos étnicos e religiosos". O papa pediu ainda que o Natal traga esperança.
Francisco celebrou o Natal ao enviar a 1,2 bilhão de católicos do mundo a bênção "urbi et orbi" em um contexto de guerras e de fundamentalismo religioso.
Ao sair do texto, citou as "crianças massacradas nos bombardeios, inclusive onde nasceu o Filho de Deus", na Terra Santa. O papa, no entanto, não fez referência nem a Israel nem aos palestinos por esta violência.
Francisco, que desta vez não fez referência à América Latina, lamentou que na Nigéria "muitas pessoas sejam retidas como reféns ou massacradas".
Também condenou que "tantas crianças (sejam) vítimas da violência, objeto de tráfico ilícito e tráfico de pessoas", em referência ao recente massacre em uma escola do Paquistão, que deixou 149 mortos, incluindo 133 alunos. "Muitas crianças são vítimas de abusos e exploradas, sob nossos próprios olhos e com nosso silêncio cúmplice" afirmou.
O papa falou ainda sobre as crianças "mortas antes de ver a luz", em uma condenação explícita do aborto. Ao falar sobre a Ucrânia, Francisco apelou para que se vença o ódio e a violência.
Por fim, o pontífice expressou sua solidariedade com as vítimas de ebola, "especialmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné". "Agradeço de coração aos que estão se esforçando com valentia para ajudar os enfermos e suas famílias", afirmou.
Francisco passou o segundo Natal no comando da Santa Sé, com grande popularidade no mundo, inclusive entre ateus e membros de outras religiões. Na missa do Galo, o pontífice pediu aos católicos que respondam com "ternura" e "doçura" às situações mais duras do mundo.
Celebrações
No Oriente Médio, o Natal foi marcado pela guerra e a fuga dos cristãos. Já no Iraque, a data foi difícil para os 150.000 cristãos, que vivem uma "situação trágica", nas palavras do patriarca caldeu Louis Raphael I Sako.
Em Cuba, as celebrações de Natal aconteceram em um clima animado marcado pela aproximação com os EUA. Em Serra Leoa, as comemorações públicas foram proibidas por conta do ebola. Na China, a cidade de Wenzhou proibiu as escolas de celebrar o Natal, considerado muito "ocidental".

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