Mercado-financeiro
Ações da Petrobras sobem mais de 30% desde março com fator eleições
Folhapress | 15h12 | 22.10.2014
A alta tem mais influência de fatores eleitorais do que propriamente de fundamentos da própria empresa, afirmam analistas
Apesar da forte instabilidade registrada em seus papéis e das notícias
ruins que cercam a empresa, a Petrobras acumula valorização superior a 30% em
suas ações desde março, mês em que começaram a ser divulgadas pesquisas
eleitorais mostrando a perda de espaço da presidente Dilma Rousseff (PT) na
corrida pelo Planalto.
Em 17 de março, o papel preferencial da petrolífera, o mais negociado,
atingiu seu menor patamar desde 8 de junho de 2005. Também em 17 de março deste
ano a ação ordinária da empresa, com direito a voto, alcançou o menor nível
desde 16 de setembro de 2004. Desde então, as ações preferenciais subiram 32,7%
e as ordinárias, 34,7%.
A alta tem mais influência de fatores eleitorais do que propriamente de
fundamentos da própria empresa, afirmam analistas ouvidos pela reportagem. Isso
porque as notícias que envolvem a empresa raramente tem sido positivas.
A mais recente delas, o rebaixamento de nota pela agência de classificação
de risco Moody's, já estava precificada pelos investidores, afirma Luciano
Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.
A Moody's rebaixou a nota da Petrobras de Baa1 para Baa2, considerada
mediana, e colocou a avaliação em perspectiva negativa.
"Essa possibilidade já estava meio que no preço do papel. O mercado já vem
incorporando essa perspectiva pior para a Petrobras e já vinha antecipando esse
rebaixamento", afirma.
A Moody's, em sua justificativa para o rebaixamento, citou o alto
endividamento da empresa. Para a agência, a capacidade da Petrobras de honrar
sua dívida piorou nas últimas semanas, após o petróleo descer ao menor valor em
quatro anos.
"Ela tem um problema que é o endividamento muito elevado. Há um
desbalanceamento no fluxo de caixa. O que ela deixou de ganhar nos últimos anos
pelo problema da defasagem do preço do combustível impacta negativamente a
empresa", afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Corretora.
A Petrobras era obrigada a importar o combustível a preço mais alto e a
vender no país a preços inferiores, o que representou prejuízo à estatal de R$
2,7 bilhões desde novembro de 2013, de acordo com cálculo da CBIE (Centro
Brasileiro de Infraestrutura).
Apesar do rebaixamento, a empresa manteve o grau de investimento na
Moody's. Para perder esse selo, é preciso ocorrer mais dois rebaixamentos. A
situação da empresa está menos confortável na agência de classificação de risco
Standard and Poor's, na qual a Petrobras está no limite de perder o grau de
investimento.
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