quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Mercado-financeiro

Ações da Petrobras sobem mais de 30% desde março com fator eleições

Folhapress | 15h12 | 22.10.2014

A alta tem mais influência de fatores eleitorais do que propriamente de fundamentos da própria empresa, afirmam analistas

 

Apesar da forte instabilidade registrada em seus papéis e das notícias ruins que cercam a empresa, a Petrobras acumula valorização superior a 30% em suas ações desde março, mês em que começaram a ser divulgadas pesquisas eleitorais mostrando a perda de espaço da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida pelo Planalto.
 
Em 17 de março, o papel preferencial da petrolífera, o mais negociado, atingiu seu menor patamar desde 8 de junho de 2005. Também em 17 de março deste ano a ação ordinária da empresa, com direito a voto, alcançou o menor nível desde 16 de setembro de 2004. Desde então, as ações preferenciais subiram 32,7% e as ordinárias, 34,7%.
 
A alta tem mais influência de fatores eleitorais do que propriamente de fundamentos da própria empresa, afirmam analistas ouvidos pela reportagem. Isso porque as notícias que envolvem a empresa raramente tem sido positivas.
 
A mais recente delas, o rebaixamento de nota pela agência de classificação de risco Moody's, já estava precificada pelos investidores, afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.
A Moody's rebaixou a nota da Petrobras de Baa1 para Baa2, considerada mediana, e colocou a avaliação em perspectiva negativa.
 
"Essa possibilidade já estava meio que no preço do papel. O mercado já vem incorporando essa perspectiva pior para a Petrobras e já vinha antecipando esse rebaixamento", afirma.
 
A Moody's, em sua justificativa para o rebaixamento, citou o alto endividamento da empresa. Para a agência, a capacidade da Petrobras de honrar sua dívida piorou nas últimas semanas, após o petróleo descer ao menor valor em quatro anos.
 
"Ela tem um problema que é o endividamento muito elevado. Há um desbalanceamento no fluxo de caixa. O que ela deixou de ganhar nos últimos anos pelo problema da defasagem do preço do combustível impacta negativamente a empresa", afirma Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest Corretora.
 
A Petrobras era obrigada a importar o combustível a preço mais alto e a vender no país a preços inferiores, o que representou prejuízo à estatal de R$ 2,7 bilhões desde novembro de 2013, de acordo com cálculo da CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).
Apesar do rebaixamento, a empresa manteve o grau de investimento na Moody's. Para perder esse selo, é preciso ocorrer mais dois rebaixamentos. A situação da empresa está menos confortável na agência de classificação de risco Standard and Poor's, na qual a Petrobras está no limite de perder o grau de investimento.
 

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