APÓS TRÊS ANOS
Economia do CE sente efeitos da seca; futuro preocupa
22.10.2014
A fruticultura está entre os mais impactados. Já para a indústria e o comércio, os efeitos da seca ainda são amenos
No momento em que a principal região produtora do País, o Sudeste, sofre com a escassez de água, acende a luz amarela de alerta na economia brasileira, diante da possibilidade real de aumento de preços e da inflação, em decorrência de um cenário antes vivido apenas nas regiões Nordeste, notadamente no semiárido, e nos serrados do Centro-Oeste. No Ceará, no que pese ações - ainda que tardias - que vêm sendo adotadas para minimizar mais três anos seguidos de seca, o quadro de estiagem continuada preocupa economistas e representantes dos três setores, uns menos, outros mais, tendo em vista os riscos que a falta d'água e a consequente alta nos preços da energia elétrica acometem cada um dos segmentos da agropecuária, da indústria e do comércio e serviços.
Fruticultura
Dentre os principais setores afetados pela seca que acomete o Ceará desde 2012, a fruticultura é um dos ramos em situação mais crítica. Considerado o 4º maior produtor de frutas do País, o Estado vem sofrendo com a falta de irrigação para as culturas que produz. De acordo com Flávio Saboya, presidente da Federação da Agricultura do Ceará (Feac), os recursos hídricos disponíveis não têm suprido a demanda necessária para o setor.
"A fruticultura é uma atividade empresarial da mais alta importância econômica e já está ameaçada com o corte de água. Posso destacar, por exemplo, o perímetro irrigado da região do Baixo-Acaraú, onde a irrigação tem se resumido a um ou dois dias por semana, o que não é suficiente. Isso pode ter reflexos irrecuperáveis em cima da cultura", alerta Saboya.
A suspensão no abastecimento de água para as atividades agrícolas já começam a surtir efeito em culturas importantes para a economia local, como afirma Flávio Saboya: "Já tivemos as águas do perímetro Curu-Paraipaba cortadas e todas as atividades de irrigação desenvolvidas com o uso dessas águas estão suspensas. Isso resulta na morte das culturas, principalmente das permanentes. Nessa região temos a maior produção de coco verde do Ceará e os produtores já estão caminhando para uma situação extremamente difícil".

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