SARAMPO
Déficit de agentes prejudica combate
25.09.2014
Greve dos profissionais é mais um obstáculo; desde o dia 8, 1.200 agentes de saúde estão parados
Fortaleza sofre com surto de sarampo e, paralelamente, com a greve dos agentes de saúde e de endemia. De acordo com o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias no Estado do Ceará (Sinasce), mesmo se o efetivo de 4.200 agentes estivesse completo, apenas 50% da cidade ficaria coberta. Hoje, Grupo de Trabalho criado pelo prefeito Roberto Cláudio deve discutir reivindicações da categoria.
"Essa situação das áreas descobertas é antiga. Já existia uma defasagem em relação a esse quantitativo desde a gestão anterior. O Ministério da Saúde exige uma cobertura mínima de 60% e hoje temos 50%. Sem contar com os agentes afastados. Temos cerca de 3.500 na ativa", diz Sávio Leão, diretor do Sinasce.
Com a greve, torna-se ainda menor. Desde o último dia 8, cerca de 1.200 agentes estão parados. Sávio reclama que há a necessidade de concurso público para a contratação de, no mínimo, mais 1.400 profissionais. "Nossos profissionais estão sendo sacrificados porque assumem micro áreas pelas quais não são responsáveis. Há áreas com grandes agravos de saúde, como as da Regional V, que a população sofre com a ausência do trabalho", diz o diretor.
No Conjunto Habitacional Miguel Arraes, no Siqueira, foram confirmados casos de sarampo. A área é descoberta de agentes comunitários e a população reclama do abandono.
"Não tem agente de saúde, o posto é muito longe e eles só aparecem quando acontece o pior", conta a dona de casa Karine Lima. Ela confirma que agentes de saúde visitaram o conjunto explicando sobre o sarampo e vacinando quem estivesse com o cartão atrasado. Karine garante que a filha Maria Lara, 2 anos, já tinha sido vacinada antes da campanha deste ano.
Outra moradora do conjunto, Jaqueline Andrade, que tem três filhos - Raí, 1 ano, Raíssa, 4, e Roberta, 10 - também acredita que a falta de acesso aos postos e o fato de viver em área descoberta contou para que o sarampo aparecesse. "É muito difícil até para ir ao posto arrastando essas crianças. Tudo é longe o povo esquece da gente", acredita.
Mara Costa nem esperou que os agentes chegassem para vacinar os filhos. Douglas, 7 meses, não tinha sido imunizado. Assim que a dona de casa soube do surto, levou o filho ao posto do Canindezinho e aproveitou para se vacinar também. "Fui a pé com o menino no colo. Andei quase duas horas, porque até ônibus é difícil por aqui", conta.
Com a atenção primária funcionando, existe mais chance de evitar quase 80% das doenças comuns em atendimento. Esse conjunto de ações também resulta na redução das hospitalizações

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