AGRICULTURA SAUDÁVEL
Uso de agrotóxicos em debate na Frutal 2014
25.09.2014
A aplicação correta de pesticidas na produção de frutas e verduras no Brasil norteou os debates de ontem
À medida em que floresce o agronegócio no Ceará e no Brasil e aumenta a procura por frutas, verduras e hortaliças mais saldáveis, livres de agrotóxicos, amplia-se o debate em torno da saúde dos alimentos. Como produzir mais e com melhor qualidade para atender a uma demanda cada vez mais crescente do consumidor, gerar mais renda aos produtores e divisas ao Estado, sem que os produtos e aplicadores, trabalhadores do campo, sejam contaminados pelo uso indiscriminado de pesticidas?
Esse foi um dos grandes temas que nortearam as discussões na tarde de ontem, na Frutal 2014, que transcorre até hoje, em Fortaleza. "Não é qualquer dose ou resíduo de uma substância química, no caso os agrotóxicos, que pode ser capaz de determinar alterações prejudiciais nos seres humanos", defendeu o professor Angelo Zanaga Trapé, coordenador do Programa de Monitoramento de Populações Expostas a Agrotóxicos da Unicamp.
Segundo ele, "as agências reguladoras do mundo inteiro, assim como a Anvisa, estabelecem níveis aceitáveis de resíduos em alimentos, sem que causem danos à saúde humana". Outro debatedor, Carlos Alexandre de Oliveira Gomes, integrante do Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos (Para), da Anvisa, concorda, mas em partes.
De acordo com ele, instruções normativas da Anvisa estabelecem limites máximos de resíduos permitidos nos alimentos, de acordo com o produto e a cultura. Gomes ressalta, no entanto, que isso só se verifica quando são respeitadas as "boas práticas de cultivo agrícolas e os limites máximos de uso de pesticidas, publicados nas monografias da Anvisa".
Fiscalização frágil
Ele reconhece também, que a fiscalização da aplicação correta por parte dos produtores ainda é frágil, apesar dos trabalhos de monitoramento realizados pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Para o gerente de Regulamentação Federal da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Guilherme Luiz Guimarães, a legislação brasileira que trata do tema é nova, de 1989, é mais avançada que em muitos países, como os Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido, mas o que falta é maior consciência e fiscalização eficaz.
"Fiscalização realmente ainda é um problema", denuncia Guimarães, frisando que a avaliações de risco no Brasil é feita apenas para produtos, mas não sobre os aplicadores de agrotóxicos e pesticidas, o que os deixa suscetíveis à contaminação. Segundo ele, o uso inadvertido de agrotóxicos é mais comum nas grandes plantações, acima de mil hectares e nas pequenas propriedades, por ineficiência da extensão rural.
Práticas saudáveis
E para minimizar os riscos de contaminação, tanto das frutas, verduras, hortaliças e demais produtos, Gomes aponta que há caminhos mais saldáveis e menos dispendiosos a seguir.
Nesse sentido, ambos sugerem o consórcio de culturas; adubação verde, que melhora a qualidade do solo; maior atenção à época certa do plantio; bem como a coleta e monitoramento de pragas no campo, dentre outras práticas de manejo.

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