MUNICÍPIOS
Apenas 15% do CE têm Conselho contra drogas
30.07.2014
Das 154 cidades pesquisadas, apenas 23 possuem o órgão, peça fundamental para a captação de recursos
Apenas 23 municípios de 154 cidades do Ceará pesquisadas pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), no estudo Observatório do Crack, possuem Conselho Municipal Antidrogas (Comad), peça chave na viabilização do repasse de verbas federais para investimentos em ações contra o problema. Algumas gestões não forneceram dados para o levantamento.
O Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas do Ministério Público do Estado, que orienta gestores para a instalação dos conselhos, visitou 43 lugares no Ceará e detectou a ausência do órgão em 21 desses municípios.
Algumas cidades nem sequer contam com qualquer tipo de política contra as drogas. Municípios como Acarape, Aracoiaba, Itapajé, Jaguaruana e Madalena não formularam planos de criação do Comad e nem deram respostas aos ofícios encaminhados pelo MP. Outras sete cidades responderam à abordagem e ficaram de encaminhar respostas. Nove estão recebendo auxílio do MP para montar seus conselhos. A criação do conselho é lei.
Desde 2012, quando o Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas foi criado, o órgão atua de forma integrada para fazer com que as cidades cearenses planejem estratégias e projetos nos eixos de prevenção, tratamento, recepção social e segurança pública.
"Formamos uma base de dados, identificando o número de cidades com problemas na formalização dos conselhos", aponta a procuradora de Justiça e presidente do Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas do MP, Eliani Nobre. Segundo ela, o número de locais sem Comads era menor ainda. Eliani informa que os municípios que não deram respostas receberão recomendação para que os prefeitos cumpram prazos curtos de criação dos conselhos.
Tudo depende do gestor, como indica a presidente da Comissão de Políticas Públicas Sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará, Rossana Brasil Kopf. "Só se fala na questão em época de campanha", critica. Para ela, falta vontade política dos prefeitos em formalizar conselhos. Ela explica que é por meio dos Comads que as gestões podem implantar coordenadorias de políticas sobre drogas a fim de investir em ações de combate e assistência. Outro problema, diz, é a ausência de projetos, que inviabiliza o recebimento de verbas.
Conforme a assessora técnica da área de Saúde da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Roberta de Paula Oliveira, os Conselhos Municipais Antidrogas envolvem, para formular projetos, representantes de órgãos diversos, incluindo Assistência Social, Saúde, Educação, etc. Contudo, as políticas estão voltadas ainda para a implantação de clínicas de reabilitação que somente são acessíveis a municípios de grande porte. Na visão dela, é preciso reavaliar os trabalhos para que os Comads possam funcionar plenamente e atingir seus reais objetivos.

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