segunda-feira, 28 de julho de 2014

13,4 PARA UMA CADEIRA

Vaga na Câmara é a mais disputada desde 1990

28.07.2014

Levantamento aponta que a eleição de 2014 para deputado como a mais acirrada desde a redemocratização

campanha
Em 1998, a relação candidato/vaga foi de 6,8. Em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Presidência pela primeira vez, foi de 9,5
FOTO: VIVIANE PINHEIRO
Brasília. A multiplicação de partidos políticos no Brasil fará da eleição para deputado federal deste ano a mais disputada desde a redemocratização.
Realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base nos registros de candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o levantamento revela que o número de candidatos, hoje em 6.914, é 81% maior do que os 3.822 que tentaram vaga no pleito de 1990. A relação candidato/vaga, que naquela eleição era de 7,5, será neste ano de 13,4.
Neste meio tempo, a peneira para se alcançar uma das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados diminuiu em um primeiro instante, na disputa de 1994.
Mas, desde então, só cresceu e tem ficado cada vez mais disputada a cada pleito. Em 1998, a relação candidato/vaga foi de 6,8. Em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou à Presidência pela primeira vez, foi de 9,5. O número seguiu crescendo quatro anos depois (11) e chegou a 11,7 em 2010.
Concorrência
Para lideranças e parlamentares, as eleições cada vez mais concorridas são reflexo direto do aumento do número de partidos políticos no Brasil.
Hoje, estão registrados 32 partidos. Só nos últimos quatro anos, cinco foram criados. "O número (de candidatos) tem aumentado naturalmente", afirma o secretário Nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza. Ele ressalta que cada legenda pode lançar nomes na quantidade de até uma vez e meia o total de vagas.
Além disso, o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (PMDB), aponta que os partidos políticos trabalham sempre para preencher completamente as listas de candidatura. Mesmo os que não são eleitos ajudam as siglas a se projetar junto ao eleitorado e a atingir o quociente eleitoral, ou seja, o número de votos necessários para eleger um deputado. "Você cria uma força de trabalho eleitoral e isso fortalece o partido", diz Padilha.
"Isso é resultado da proliferação de partidos. Há um número de vagas determinado que os partidos precisam preencher e há muitos candidatos que estão ali apenas para cumprir uma exigência legal", acrescenta o deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara.
"Quanto mais candidatos temos, mais fácil fica conseguir se eleger, porque aumenta a chance de termos votos de legenda", conclui o parlamentar.

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