domingo, 5 de janeiro de 2014

CAMPANHA PRESIDENCIAL

Oposição cobrará metas do governo

05.01.2014
Segundo aliados, o não cumprimento das promessas se deve à falta de apoio de estados e municípios
Rio de Janeiro. A falta de cumprimento de quase metade das promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff, feitas em 2010, vai se tornar um dos alvos da oposição na campanha deste ano. O PT, no entanto, diz estar preparado para o embate e alega que os resultados são os melhores já obtidos por um presidente da República.

Deputado José Guimarães, líder do PT na Câmara, afirma que o cumprimento de mais da metade do que Dilma prometeu durante a campanha presidencial de 2010 é motivo para comemoração FOTO: KID JÚNIOR
"O problema é que a memória do eleitor é muito curta. Ela vai reeditar as mesmas promessas na campanha, vai dizer que foi a crise internacional que atrapalhou, que foram as pessoas que jogaram contra, essa história da carochinha. Nós temos uma equipe trabalhando essa questão das promessas há muito tempo e o que vemos é que esse programa de governo serviu apenas para a campanha e logo foi arquivado", critica o líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO).

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), diz que mesmo as 22 das 46 promessas cujo ritmo de execução é lento serão entregues. Na opinião dele, se for feita uma avaliação das promessas feitas pelos 27 governadores, a situação seria muito pior que a do governo federal:

"Se são 46 promessas e mais da metade está concluída ou em vias de ser concluída é algo nunca visto nos governos depois da redemocratização. Todas serão cumpridas. A presidente Dilma é a que mais se preocupa em fazer efetivamente acontecer. Nós temos é que comemorar, porque vamos chegar ao fim de 2014 com sentimento de dever cumprido. Se levarem para a campanha, é ótimo, nós temos o que mostrar, temos um legado incomparável", defende.

O cientista político Octaciano Nogueira, da Universidade de Brasília, não vê novidade no não cumprimento de promessas de campanha de governantes. Segundo ele, promessas são feitas desde o Império e, em geral, seu não cumprimento afeta apenas a minoria dos eleitores que acompanham a vida política.

"Prometer é fácil e cumprir nem sempre. A promessa é um instrumento de campanha, porque é através delas que o político consegue apoio ou não. Aquele que não faz promessas dificilmente será eleito. Ela faz parte do ritual da campanha há muito tempo e a maioria dos eleitores se esquece as razões pelas quais votou", afirma.

Autor do projeto que ajudou a tornar obrigatória a apresentação de um programa de governo pelos candidatos ao Executivo, em 2010, o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) comemora. "Quando aprovamos essa regra, o objetivo era combater a demagogia e o estelionato eleitoral e promover as candidaturas que devem trabalhar o sonho e a esperança dentro do que cabe no orçamento. A história brasileira é pródiga em discursos que não aconteceram na prática, mas que foram decisivos em eleições".

Nenhum comentário:

Postar um comentário