segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Operação para investigar desvios de verbas faz prisões em dez estados e no Distrito Federal

Folhapress/Agência Brasil | 15h51 | 09.09.2013

Estão sendo cumpridos 101 mandados judiciais


    

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (9), a operação Esopo, contra desvios de verbas no Ministério do Trabalho. Foram expedidos 101 mandados judiciais, incluindo 44 de busca e apreensão, 20 de sequestro de valores e bens, 25 de prisão temporária e 12 de condução coercitiva.
As investigações apontaram que uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), chamada Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), com sede em Belo Horizonte, realizava convênios de fachada com o ministério no Distrito Federal e em dez Estados. O IMDC possui o Projeto Cisternas que está em 1.031 cidades, incluindo municípios do estado do Ceará.
Estão sendo cumpridos 101 mandados judiciais na operação. FOTO: KLEBER A. GONÇALVES
Segundo a PF, firmados os contratos, os serviços eram prestados com valores superfaturados ou nem sequer eram realizados. Nos últimos cinco anos, a organização recebeu do ministério mais de R$ 400 milhões.
A operação Esopo cumpre mandados de prisão e apreensão em dez estados e no Distrito Federal, com o objetivo de apurar indícios de fraude à licitação, corrupção, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A operação está sendo feita conjuntamente pela Polícia Federal, a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União.
Entre os lugares visitados está o Ministério do Trabalho e Emprego. A assessoria do ministério confirmou a presença dos policiais no local, mas não informou se houve apreensão de documentos ou prisões. Segundo a Receita Federal, entre os estados com operação em andamento estão Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Operação conta com 200 policias federais, 30 servidores da AGU e 30 da Receita Federal
Participam da operação 30 servidores da Receita Federal, cerca de 200 policiais federais e 30 servidores da Controladoria-Geral da União. A operação, segundo a Receita, recebeu o nome em referência à expressão "lobo em pele de ovelha", atribuída ao grego Esopo.
A Receita informou que, além das prisões e dos mandados de busca e apreensão, a Justiça Federal decretou o sequestro de bens e o bloqueio de recursos financeiros dos suspeitos. O Fisco não sabe o valor exato dos prejuízos aos cofres públicos, mas informou que pode chegar a centenas de milhões de reais.
As investigações tiveram início há dois anos, a partir da suspeita de participação de empresas parceiras em processos licitatórios. Movimentações financeiras expressivas em espécie nas contas dessas empresas serviam para dissimular a origem do dinheiro e faziam com que o recurso voltasse às mãos do mentor do esquema já com aparência lícita.

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