BOVINOCULTURA
Criadores apontam altos custos na produção do leite no Estado
17.09.2013
Como em outros setores da economia, a seca está provocando quedas na bacia leiteira do Estado, exigindo ajuste de valor
Iguatu. A cadeia produtiva do leite no Ceará enfrenta uma situação desigual entre os seus setores. Afetada por dois anos seguidos de seca, produtores rurais, indústrias de laticínios e o comércio varejista tentam se adequar às imposições do mercado internacional e às peculiaridades locais e regionais.
O preço do leite "in natura" é considerado insuficiente para cobrir todos os fatores produtivos. O momento é considerado de dificuldades para o setor FOTO: ALEX BARBOSAAtualmente, o preço do leite para o produtor rural é considerado historicamente o maior, mas os criadores reclamam do alto custo de produção e querem novo reajuste. O setor enfrenta escassez do produto para atender à demanda regional e existe uma pressão para que o varejo faça um realinhamento do valor de compra para a indústria de laticínios.
Na ponta final da cadeia produtiva, os consumidores reclamam do valor do leite e de seus derivados majorados nas prateleiras. Costumeiramente, os produtores rurais são apontados como os vilões do aumento do produto. "Essa é uma falsa impressão da população, quem está ganhando é o setor varejista que reajusta o preço nas gôndolas e prateleiras em proporção maior, e não repassa para a indústria, que sofre pressão dos criadores", observa o presidente da Associação dos Produtores de Leite do Estado do Ceará (Aprolece), Geraldo Magela Frota. O produtor e laticinista, Oswaldo Rebelo observa que as indústrias ainda não repassaram o reajuste dado ao produtor para o varejo.
Atualmente, o preço do litro de leite in natura pago ao produtor pelos laticínios varia entre R$ 1,00 e R$ 1,30, dependendo da região e da quantidade fornecida pelo criador ao longo do ano. Na Região Metropolitana de Fortaleza, o preço costuma ser mais elevado em relação ao sertão, que tem custo de frete e maior dificuldade de acesso às fazendas produtoras. "A seca trouxe dificuldades para todos, mas os pequenos produtores foram os mais atingidos. Não é só a estiagem que afeta o setor, pois há falta de leite no mercado mundial, quebra de safra nos Estados Unidos, Argentina e Nova Zelândia. No mercado internacional, globalizado, o preço dos insumos sobe, elevando o custo de produção", avalia Frota.
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