JULGAMENTO
Ministros preveem mais tensão no Supremo
18.08.2013Durante votação de recurso na segunda etapa do julgamento do Mensalão, presidente do STF fez interrupções
Brasília O bate-boca protagonizado pelos ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski na quinta-feira, que interrompeu abruptamente a sessão de julgamento dos recursos do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), deve se estender até a semana que vem.
Para evitar o confronto em plenário, Lewandowski diz que ainda espera receber um pedido de desculpas de Barbosa ou a solidariedade de colegas FOTO: DIVULGAÇÃOLewandowski indicou a colegas que planeja levar ao plenário questão de ordem em que vai exigir o direito de votar sem ser interrompido por Barbosa. Ministros consultados temem que a ação possa exacerbar ainda mais os ânimos.
Anteontem, durante a votação do recurso do ex-deputado Bispo Rodrigues, Barbosa acusou Lewandowski de fazer "chicanas" jurídicas com o objetivo de atrasar o processo. Disse ainda que o colega não respeitava o STF. Ao ouvir as críticas, Lewandowski pediu retratação de Barbosa, o que foi negado de pronto pelo presidente. Os ânimos se exaltaram e a sessão foi encerrada pelo presidente.
A discussão era sobre um pedido do ex-deputado condenado no mensalão. Essa segunda etapa do julgamento trata dos embargos de declaração, recurso que não serve para alterar a decisão, apenas para esclarecer pontos obscuros. Ainda assim, Lewandowski levantou pontos da primeira fase, que tiveram votação unânime e que poderiam diminuir a pena de Rodrigues.
Para o ministro Marco Aurélio Mello, Barbosa errou ao criticar o colega. "O presidente da corte deve se portar como um algodão no meio de cristais". Para ele, o STF deveria "suplantar este episódio" para evitar implicações "imprevisíveis" caso a discussão seja reaberta.
"Bullying"
Além de Mello, outros ministros acreditam que Lewandowski não deveria retomar o caso. Mas em conversas reservadas, o ministro diz que está sofrendo "bullying" de Barbosa, que, em sua visão, estaria querendo "alavancar sua popularidade".
Para evitar o confronto em plenário, Lewandowski tem dito que ainda espera um pedido de desculpas de Barbosa ou até mesmo uma manifestação de solidariedade dos demais ministros.
Mas segundo um ministro, o presidente acredita que o revisor estaria agindo deliberadamente para atrasar o julgamento dos recursos dos réus do mensalão e criar embaraços à sua gestão.
Lewandowski não foi o único a sofrer interrupções. Na quarta-feira, Dias Toffoli foi repreendido, pois Barbosa entendeu que ele estaria com um tom "jocoso" durante a análise do recurso do ex-tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri. Toffoli retrucou dizendo que Barbosa é que deveria presidir a sessão "de maneira séria". Os dois ainda trocaram mais farpas.
O presidente disse saber onde o colega queria chegar com seu voto e foi novamente interpelado: "Vossa excelência tem a capacidade premonitória?". Toffoli acompanhou o voto de Barbosa.
Por causa do bate-boca entre ministros, associações de magistrados divulgaram nota pedindo "urbanidade" e "cortesia".
"Os magistrados precisam ter independência para decidir e não podem ser criticados por quem, na mesma corte, divirja do seu entendimento".
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