A CHOQUES ECONÔMICOS
População ainda está vulnerável
15.04.2013A inflação mais elevada e o aumento do endividamento representam riscos à nova classe média
São Paulo. Parcela expressiva da nova classe média emergente permanece vulnerável a choques econômicos que podem empurrá-la novamente para a pobreza. No Brasil, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ligada à Presidência da República, tem tentado mensurar essa vulnerabilidade.
O possível retrocesso de expansão da classe média nos países emergentes preocupa, haja vista a sua importância para a economia global FOTO: ALEX COSTASegundo a economista Diana Grosner, diretora da SAE, 22% da população brasileira pertencem ao estrato mais baixo da classe média, com renda familiar per capita mensal entre R$ 291 e R$ 441. "Essas pessoas são as mais vulneráveis a uma volta à pobreza e representam um número alto", diz Grosner.
Em estudo de 2009 sobre a expansão da classe média, o economista Martin Ravallion citou que um, em cada seis pessoas em países em desenvolvimento, vivia com renda entre US$ 2 e US$ 3 por dia. O autor levou em consideração a renda per capita de US$ 2/dia como limite entre a pobreza e a nova classe média em nações emergentes, valor em paridade do poder de compra de 2005, medida que elimina distorções de preço.
Ameaças
Para Grosner, a inflação mais elevada e o aumento do endividamento representam riscos importantes para a nova classe média brasileira. Outra ameaça, explica a economista, é o avanço da produtividade em ritmo muito menor que o dos salários.
Segundo ela, isso pode fazer com que as empresas decidam repassar os custos maiores para os preços - pressionando mais a inflação - ou demitir. O risco de retrocesso no processo de expansão da classe média em países emergentes preocupa porque a continuação de sua ascensão é importante para a recuperação da economia global.
"As boas perspectivas para a classe média da Ásia e de outros países, como o Brasil, são importantes para garantir demanda por bens e recursos mais forte que a de consumidores de países desenvolvidos", afirma Robert Wood, economista da Economist Intelligence Unit (EIU). Dados da EIU mostram que o forte crescimento da fatia de famílias com renda anual superior a US$ 10 mil foi comum a vários países emergentes na última década.
Causas
Segundo o economista Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial, a expansão do emprego e a valorização do trabalho são a principal causa comum para a expansão da classe média em países em desenvolvimento nos últimos anos.
Diana Grosner menciona que o aumento da renda do trabalho explica mais do que 60% do aumento da renda no País na última década. Especialistas também ressaltam o papel de políticas de transferência de renda para o aumento de uma nova classe consumidora no Brasil e na América Latina.
Segundo Sonia Bueno, presidente-executiva da consultoria Kantar Worldpanel para a América Latina, 22% da população em 15 países da região disseram receber algum benefício do governo: "Esse dinheiro acaba em boa parte sendo convertido em consumo", destaca.
Estratificação
22% da população do País pertencem ao estrato mais baixo da classe média (dividida em três grupos), com renda familiar per capita mensal entre R$ 291 e R$ 441.
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