terça-feira, 19 de agosto de 2014

IGREJA CATÓLICA

Papa Francisco afirma que poderia renunciar

19.08.2014

O líder da Santa Sé declarou que deixaria o pontificado se "sentisse que não poderia seguir adiante"

Papa Francisco
Durante missa na Catedral de Seul, o pontífice recebeu idosas vítimas da escravidão sexual do Império do Japão durante a Segunda Guerra
FOTO: REUTERS
Roma. O papa Francisco afirmou, ontem, a jornalistas que renunciaria ao pontificado, caso "sentisse que não pudesse seguir adiante". A declaração foi dada na coletiva de imprensa dada durante o voo de volta a Roma, após a passagem de Francisco por Seul. Ele havia sido questionado sobre sua relação com seu antecessor e hoje papa emérito, Bento XVI.
"Penso que o papa emérito não seja uma exceção", disse Francisco. "Penso que o papa emérito seja uma instituição, porque a nossa vida se alonga e a uma certa idade não há a capacidade de governar bem, o corpo se cansa".
"E se sentisse que não poderia seguir adiante? Faria o mesmo", completou Francisco.
Antes de partir, o pontífice reuniu-se, ontem, em Seul com 12 líderes de diferentes religiões, no último dia de sua visita à Coreia do Sul, encerrada com uma missa pela paz e reconciliação na catedral da capital.
O pontífice esteve reunido em uma sala da Catedral de Myeongdong com os líderes das principais ordens do budismo - que conta com o maior número de fiéis no país - e de outras religiões com importante presença, como protestantes, ortodoxos e confucionistas.
"A vida é um longo caminho, mas não se pode caminhar sozinho", disse Francisco, em breve discurso dirigido aos seus interlocutores, aos quais agradeceu o "gesto de caminharem juntos como irmãos na presença de Deus" e pediu que rezem por ele.
O encontro foi marcado por saudações e trocas de palavras entre o papa e cada um dos líderes, que o presentearam com cruzes e outras oferendas.
Missa
Em sua última cerimônia religiosa na Coreia do Sul, o papa celebrou, na catedral de Seul, uma missa pela paz e pela reconciliação. Foram convidados para a missa 700 membros e funcionários das 16 dioceses do país. Apesar da chuva, fiéis concentrados no exterior do templo puderam assistir à cerimônia em um telão.
Entre os convidados especiais estavam a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, estudantes, imigrantes e idosas vítimas da escravidão sexual do Império do Japão durante a Segunda Guerra Mundial.
Além disso, refugiados norte-coreanos e cinco parentes de cidadãos sequestrados por Pyongyang assistiram à cerimônia, dedicada sobretudo à promoção do entendimento e da unificação na dividida Península Coreana. A Coreia do Sul tem 5,4 milhões de católicos.
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