sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ENTRE COREIAS

Papa pede superação de divergências

15.08.2014

Francisco apelou para que as injustiças sejam ultrapassadas "pelo padrão, tolerância e cooperação"

Park Geun-hye e Papa Francisco
A presidente Park Geun-hye, que recebia o pontífice na Casa Azul, residência oficial da chefe de Estado, lembrou que mais de 70 mil famílias continuam separadas desde a divisão da península no final da Guerra da Coreia (1950-1953)
FOTO: REUTERS
Seul. O papa Francisco pediu ontem, em Seul, que as duas Coreias ultrapassem "as recriminações" e deixem de recorrer ao "destacamento de forças", considerando que a paz só pode ser alcançada por meio do diálogo e do perdão.
Perante a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, e diferentes autoridades do país, Francisco, que falou pela primeira vez, em âmbito oficial, em inglês, saudou "os esforços desenvolvidos em favor da reconciliação e da estabilidade na península coreana (?), pois eles constituem o único caminho para uma paz duradoura".
"A diplomacia, enquanto arte do possível, baseia-se na firme e perseverante convicção de que a paz pode ser alcançada pela audição tranquila e o diálogo, mais do que pelas recriminações mútuas, as críticas estéreis e o destacamento de forças", afirmou o papa, numa referência indireta ao regime norte-coreano.
A presidente Park Geun-hye, que recebia o papa na Casa Azul, residência oficial da chefe de Estado sul-coreana, lembrou que mais de 70 mil famílias continuam separadas desde a divisão da península no final da Guerra da Coreia (1950-1953). "Queremos realizar a reunificação", declarou a presidente, sublinhando que "a Coreia do Norte deve renunciar ao programa nuclear". Pyongyang mantém o argumento de que o programa nuclear destina-se a fins civis, mas Seul e Washington suspeitam que o regime pretende se armar com mísseis balísticos armados com ogivas nucleares.
"Apesar das provas, o calor do dia e a obscuridade da noite deixaram sempre nascer a manhã calma, quer dizer, uma esperança tenaz na justiça, paz e unidade", disse o papa.
Jorge Bergoglio apelou para que as injustiças sejam ultrapassadas "pelo padrão, tolerância e cooperação". A visita do papa à Coreia do Sul termina na próxima segunda-feira (18).
Lançamento de mísseis
A Coreia do Norte lançou três mísseis de curto alcance a partir de sua costa leste ontem, disse o Ministério da Defesa da Coreia do Sul, pouco antes de o papa Francisco chegar a Seul em sua primeira visita a um país asiático. Os foguetes foram disparados de lançadores múltiplos na cidade norte-coreana de Wonsan e percorreram 220 quilômetros antes de caírem no mar a leste da península coreana, disse um funcionário do ministério.
O último foguete foi lançado 35 minutos antes da hora marcada para a chegada do papa Francisco à base aérea de Seul, onde o pontífice começou sua visita de cinco dias à Coreia do Sul.
Os disparos ocorrem antes de exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul, marcados para começar na segunda-feira.
Seul e Washington disseram que os exercícios têm natureza defensiva, mas a Coreia do Norte emite frequentes reclamações sobre as manobras, que considera um ensaio para uma guerra.
Bênção para a China
"É bastante inconveniente lançar este tipo de projéteis no dia da chegada do papa, que vem abençoar todos os habitantes da península coreana, vivam eles no sul ou norte", disse um porta-voz da diplomacia sul-coreana.
O pontífice argentino vai celebrar uma missa para "a paz e a reconciliação" na catedral de Myeong-dong de Seul no dia 18 de agosto, ponto alto da visita de cinco dias. Ao contrário do Norte, onde o catolicismo é muito perseguido, no Sul os cristãos, entre todas as diferentes denominações, são mais numerosos que os budistas.

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