terça-feira, 9 de abril de 2013


DISTÚRBIOS DO SONO

Diagnosticar a causa-base é determinante

09.04.2013
Se os homens são de Marte e as mulheres, de Vênus, há distúrbios do sono que perturbam mais um do que o outro 

A quantidade de sono médio da população corresponde cerca de 7h30 a 8 horas, não havendo diferença significativa entre homens e mulheres. No entanto, essa relação de igualdade muda entre os sexos quando se trata de transtornos. Para Manoel Sobreira, neurologista especialista em Medicina do Sono, a insônia prevalece nas mulheres, enquanto a síndrome da apneia obstrutiva do sono, em homens. 

Dificuldade para iniciar o sono ou para mantê-lo, acordar e não conseguir mais dormir são efeitos da insônia. Além de doença por si só, ela também se apresenta, na maioria das vezes no sexo feminino, como um sintoma. “A exemplo das patologias psiquiátricas, em particular a ansiedade e a depressão, que são mais frequentes nas mulheres, devido, entre outros aspectos, a fatores sociais. Ou seja, os motivos que justificam a maior prevalência da insônia em mulheres passa pela causa das ocorrências de depressão, ansiedade e outras doenças”, justifica o médico. 

Por isso, antes de iniciar o tratamento, é necessário diagnosticar a causa básica. “É preciso identificar o que está provocando a insônia para tratar a causa e, não simplesmente, a ausência de sono”, explica. O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica. 

Nos casos em que a insônia é detectada como patologia, o tratamento pode acontecer de duas maneiras: uso de medicamentos prescritos pelo médico ou Terapia Cognitiva Comportamental específica para o distúrbio. A terapia é realizada por um psicólogo especializado que trabalha as causas daquela insônia. “Há ocorrências em que o indivíduo teve um quadro depressivo e, mesmo após a melhora, desenvolveu alguns hábitos de sono inadequados. A terapia foca nisso e, muitas vezes, é melhor do que a medicação, por ser mais efetiva e mostrar resultados a longo prazo. Outras vezes, une-se o tratamento medicamentoso com a terapia”. 

Os marcianos
Já no sexo masculino, prevalece a obstrução intermitente das vias aéreas, chamada de apneia obstrutiva do sono. Caracteriza-se pela interrupção da respiração no sono, fazendo o sujeito despertar para resgatar o ato de respirar. Processo que ocorre aleatoriamente e diversas vezes durante o sono, esse transtorno ocasiona um sono fragmentado. 

A incidência no homem se deve pela maior prevalência de obesidade no gênero, uma vez que a deposição de gordura não acontece apenas na região abdominal, como também em estruturas internas do organismo, inclusive na região da faringe e da laringe, tornando-os favoráveis à apneia. Outro fator é a predisposição genética que apresenta uma conformidade crânio-facial, forma de alinhamento das estruturas do crânio, da face e da laringe que contribuem para a doença. E, por fim, o envelhecimento, provocando a flacidez do corpo como um todo, caso da laringe e da faringe. 

Com esses fatores, é comum ter no ronco um dos efeitos da apneia. “Antes de acontecer a obstrução nas vias aéreas, o indivíduo ronca, porque a via aérea está mais estreitada do que deveria estar, mas não chega a ficar obstruída. Em determinados momentos, isso pode acontecer. Por isso, deve-se ficar atento a quem ronca para verificar com um médico se o estreitamento na via aérea é suficiente para causar a síndrome da apneia obstrutiva do sono. Ou seja, todo indivíduo que tem apneia ronca, mas nem todo indivíduo que ronca tem apneia”, alerta.

O diagnóstico do distúrbio é feito por um exame que avalia o sono, a polissonografia. São colocados eletrodos ao longo do corpo (na cabeça, no nariz, na boca, no queixo, nas pernas, além de uma cinta torácica e abdominal). “A pessoa dorme na clínica para verificar as etapas do sono, entre vários outros aspectos”.

Para o tratamento, há três modalidades. A mais eficaz, considerada padrão ouro, é feita pelo aparelho de pressão positiva à via aérea chamado C.P.A.P. (Continuous Positive Airway Pressure). Outra opção é o dispositivo intraoral, indicado em casos leves e moderados, cuja função é anteriorizar levemente a mandíbula. É possível também em casos leves e alguns moderados, realizar a cirurgia uvulopalatofaringoplastia, que consiste em uma plástica na úvula, no palato e na parede lateral da faringe, a fim de diminuir a região que está causando os roncos e as apneias. “Todas as modalidades devem ser recomendadas pelo médico. Do contrário, não haverá eficácia”, encerra.
Utilizado durante o sono, o aparelho cria uma coluna de ar na via aérea do paciente, impedindo a ocorrência de episódios de apneia. Na maioria das vezes, o benefício sobrepõe o incômodo aparente causado pelo C.P.A.P. Foto: Marília Camelo


Padrão ouro

C.P.A.P.

Abreviatura que denomina Pressão Positiva Contínua Nasal (em português). Quando recomendado pelo médico, o aparelho é considerado padrão ouro pela sua eficiência no tratamento da apneia obstrutiva do sono.

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